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Irã afirma que 10 serviços de inteligência estrangeiros organizaram e fomentaram os recentes distúrbios no país.

Imagem: VCG

O Irã declarou nesta sexta-feira (23) que dez serviços de inteligência estrangeiros estiveram por trás dos recentes episódios de protestos e violência no país, caracterizando-os como parte de um plano coordenado para desestabilizar a República Islâmica. A acusação foi feita pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em um comunicado oficial divulgado pelo veículo Sepah News, ligado à instituição militar. 

Segundo o IRGC, os incidentes, descritos como “terroristas” pelas autoridades, teriam sido organizados por uma “sala de comando estrangeira” criada após o conflito de 12 dias em junho do ano passado. 

A Guarda afirmou que o suposto comando especializado incluía dez diferentes agências de inteligência com o objetivo de provocar caos interno, pressionar por uma intervenção militar e mobilizar grupos que o regime considera ameaça à segurança nacional. Porém, as acusações vieram sem apresentar provas públicas dessas ligações externas. 

O IRGC informou que, entre junho e o final de dezembro, as forças de segurança iranianas teriam frustrado esses planos, detido cerca de 735 pessoas ligadas a “redes anti-segurança”, orientado mais de 11 000 indivíduos considerados vulneráveis e apreendido 743 armas ilegais associadas às operações. 

A acusação aos serviços estrangeiros foi complementada por declarações do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que qualificou os distúrbios como uma tentativa de “quase golpe” apoiada pelos Estados Unidos e Israel. 

Ghalibaf fez as declarações durante uma chamada com o presidente do parlamento da Turquia, agradecendo a Ancara por sua política de não-interferência nos assuntos internos do Irã. 

Os protestos eclodiram em dezembro em várias cidades iranianas, inicialmente motivados por questões econômicas e depois assumindo um caráter mais político, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança. 

O movimento, considerado um dos mais importantes desafios ao regime em anos, resultou em mortes, prisões em massa e danos a edifícios públicos e privados, conforme relatado por organizações de direitos humanos e mídias internacionais. 

Tanto o governo quanto alguns legisladores iranianos insistem que o movimento foi impulsionado por “inimigos estrangeiros” e que o país reagiu de maneira eficaz às ameaças internas e externas. 

Entretanto, críticos independentes e organismos internacionais de direitos humanos contestam as explicações oficiais, destacando a falta de evidências independentes que vinculam diretamente serviços de inteligência externos aos protestos e criticando a repressão às manifestações pacíficas. Observadores internacionais também apontam para divergências nas estimativas de mortos e feridos, em meio a controles de informação e restrições de comunicação no país.

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