Expira o New START, último tratado nuclear entre EUA e Rússia. Sem limites formais e com a ascensão bélica da China, o mundo enfrenta o maior risco de uma corrida armamentista em décadas.

O mundo entrou em uma nova e perigosa era nuclear nesta quinta-feira (5). Com a expiração oficial do New START, o último tratado de controle de armas entre Estados Unidos e Rússia, não existem mais limites vinculativos para os arsenais das duas maiores potências nucleares do planeta.
O fim do pacto ocorre após o governo de Donald Trump não dar prosseguimento à proposta de Vladimir Putin para uma extensão temporária. A ausência de um sucessor para o tratado, assinado em 2010, encerra décadas de restrições que limitavam cada lado a 1.550 ogivas estratégicas implantadas.
A OTAN reagiu imediatamente, classificando o momento como crítico para a segurança global. A aliança militar alertou para o fato de que tanto a Rússia quanto a China estão expandindo aceleradamente suas capacidades. Um oficial da organização, sob condição de anonimato, criticou a postura russa.
“A retórica nuclear irresponsável da Rússia e a sua sinalização coercitiva demonstram uma postura de intimidação estratégica.”
O vácuo jurídico ocorre em um momento de tensões máximas devido à guerra na Ucrânia. A Rússia declarou que não se sente mais vinculada a obrigações ou declarações simétricas no contexto do tratado. Embora Moscou prometa agir com “prudência”, alertou que tomará contramedidas decisivas se sua segurança nacional for ameaçada.
Washington, por sua vez, condiciona qualquer novo acordo à inclusão da China. Pequim, no entanto, rejeita participar de negociações de desarmamento nesta fase. O governo chinês argumenta que seu arsenal, estimado em 600 ogivas, ainda é de uma escala totalmente diferente da russa e americana.
Apesar da disparidade, o crescimento chinês é o mais rápido do mundo, adicionando cerca de 100 novas ogivas por ano. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou que o controle de armas no século XXI é impossível sem a participação de Pequim, dada a rapidez de sua expansão:
“É impossível fazer algo que não inclua a China, devido ao seu vasto e rápido crescimento de estoque.”
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como um “momento grave para a paz internacional”. Ele destacou que o risco de uso de armas nucleares é o mais alto em décadas. O Papa Leão XIV também apelou para que as potências não abandonem os instrumentos de controle sem alternativas concretas.
Juntos, Rússia e EUA detêm mais de 80% das ogivas nucleares globais. Especialistas apontam que a expiração do New START deve-se tanto a tensões ideológicas quanto à falta de canais diplomáticos ativos na administração Trump. Sem inspeções mútuas ou limites claros, o espectro de uma nova corrida armamentista global torna-se uma realidade imediata.
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