Investidores globais migram ativos dos EUA para a Europa em 2026, fugindo da volatilidade de Donald Trump. O movimento impulsiona a Euroclear e marca o início do uso do dólar em estratégias de hedge.

O cenário financeiro global registra um movimento de realocação de capital sem precedentes em 2026. Investidores da China, Oriente Médio e Ásia-Pacífico estão diversificando seus portfólios, migrando ativos dos Estados Unidos para a Europa. O fenômeno é uma resposta direta à turbulência de mercado gerada pela administração de Donald Trump.
Segundo Valérie Urbain, CEO da Euroclear, principal provedora de infraestrutura financeira do continente, a busca por ativos europeus cresceu ao longo de 2025. A executiva destaca que a política de tarifas agressivas de Trump elevou custos e incertezas para multinacionais, reduzindo a atratividade dos EUA. Em entrevista, ela detalhou essa mudança de comportamento.
“Vimos ao longo de 2025 uma crescente diversificação do investimento para longe dos EUA. Há um interesse crescente em diversificar as carteiras de investimento em ativos europeus.“
Além das barreiras comerciais, há um temor generalizado de que cortes injustificados nas taxas de juros americanas possam reacender a inflação. Esse cenário corroeria o valor do dólar, levando investidores a buscarem proteção em outras moedas. O fundo de pensão dinamarquês AkademikerPension é um exemplo prático desse movimento, tendo desinvestido US$ 100 milhões em títulos do Tesouro dos EUA.
A Euroclear, sediada em Bruxelas, reportou um lucro líquido de € 1,11 bilhão em 2025, um aumento em relação ao ano anterior. Os ativos sob custódia da instituição superaram € 43 trilhões, crescendo 7%. O desempenho sólido ocorre em meio ao debate sobre o uso de ativos russos imobilizados para financiar a Ucrânia.
Cerca de US$ 280 bilhões em ativos do banco central russo permanecem congelados por nações do G7 e pela UE, a maioria sob custódia da Euroclear. No último ano, os juros gerados por esses fundos somaram € 5 bilhões. A instituição já provisionou € 3,3 bilhões como contribuição extraordinária para o apoio europeu a Kiev.
Para Urbain, a postura de Trump serviu como um alerta para a Europa e o resto do mundo. A instabilidade política está forçando os mercados a questionarem dogmas financeiros que duraram décadas. A necessidade de proteção contra a volatilidade da moeda americana tornou-se uma pauta central nas mesas de negociação, conforme observou a executiva.
“Em minha carreira, ninguém falava em fazer hedge do dólar. É algo sobre o qual agora as pessoas falam abertamente”, ressaltou Urbain.
A fuga de capitais dos EUA para a Europa reflete uma reconfiguração da confiança geopolítica e econômica global. O sucesso dessa transição dependerá da capacidade da UE em gerenciar os riscos associados aos ativos russos e manter sua coesão interna diante das pressões externas.
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