Câmara dos EUA aprova projeto para excluir China de órgãos como G20 e BIS se Taiwan for ameaçada. Medida aguarda Senado e pode reverberar na cúpula Trump-Xi em abril de 2026.

A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou, nesta terça-feira (10), um projeto de lei que visa a excluir a China das principais instituições financeiras globais caso Pequim ameace a soberania de Taiwan ou coloque em risco os interesses americanos.
A legislação estabelece como política oficial o bloqueio de representantes chineses em seis organismos de cúpula, incluindo o G20, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Comitê de Basileia, elevando a tensão sobre a estabilidade da ordem financeira internacional em 2026.
O placar foi esmagador: 395 votos a favor e apenas 2 contra. Contudo, o caminho para a sanção do presidente Donald Trump ainda enfrenta a resistência no Senado, que demonstra cautela antes da visita oficial de Trump a Pequim para encontrar-se com Xi Jinping em abril. Há o temor de que uma mudança abrupta na política externa mine as negociações que os dois líderes vêm tentando estabilizar. O deputado republicano Frank Lucas, autor do projeto, afirmou sem rodeios:
“Se a China procura perturbar a ordem global, então não pode continuar a fazer parte de organizações internacionais que procuram preservar essa ordem.”
A medida não se restringe apenas ao sistema bancário; ela estende o cerco à Associação Internacional de Supervisores de Seguros e à Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO). Para Washington, trata-se de um mecanismo de dissuasão que transforma o acesso ao sistema financeiro em uma ferramenta de realpolitik. O custo de uma incursão militar contra a ilha autogovernada passaria a incluir o banimento do país dos fóruns que ditam as regras do jogo econômico mundial.
Pequim, por sua vez, mantém uma retórica contenciosa, reiterando que Taiwan é território soberano chinês. Enquanto Trump descreveu as conversas preliminares com Xi como “excelentes”, o tom vindo de Pequim sugere que o a diplomacia tradicional está sendo substituída por uma desconfiança mútua profunda.
O impasse legislativo em Washington sinaliza que a era da dissociação financeira deixou de ser uma hipótese para se tornar peça de artilharia preventiva. Ao transformar o assento em organismos como o G20 em um ativo condicional, os EUA tentam impor a Pequim um cálculo de custo-benefício que ultrapassa o campo de batalha.
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