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EUA e Armênia fecham acordo nuclear de US$ 9 bilhões, reduzindo o peso de Moscou no Cáucaso. O pacto inclui o corredor TRIPP para ligar Ásia e Europa, contornando a Rússia e o Irã.

Imagem: Governo da República da Armênia

Em um movimento de profunda reorientação geopolítica, a Armênia e os Estados Unidos assinaram, nesta segunda-feira (10), termos para a cooperação no setor nuclear civil.

Chamado de “Acordo 123”, o pacto estabelece o arcabouço jurídico necessário para que Washington licencie tecnologia e equipamentos nucleares de ponta para Ierevan. A medida ocorre em um momento em que a Armênia busca reduzir sua dependência histórica da infraestrutura russa e iraniana, sinalizando uma ruptura com a esfera de influência tradicional de Moscou.

O acordo prevê exportações iniciais de tecnologia americana estimadas em US$ 5 bilhões, acrescidas de US$ 4 bilhões em contratos de longo prazo para manutenção e fornecimento de combustível nuclear.

Atualmente, a Armênia opera a planta de Metsamor, uma instalação envelhecida de construção soviética. Embora empresas de Rússia, China, França e Coreia do Sul disputem a construção do novo reator, o anúncio de segunda-feira confere uma vantagem competitiva decisiva ao projeto dos EUA, desafiando diretamente a Rosatom, gigante nuclear russa.

Paralelamente ao setor energético, o vice-presidente JD Vance promoveu o “Trump Route for International Peace and Prosperity (TRIPP)”. O corredor de 43 quilômetros no sul da Armênia visa conectar o Azerbaijão ao seu enclave de Nakhchivan e, por extensão, à Turquia. Para Washington, o projeto é vital porque cria uma rota de comércio e energia entre a Ásia e a Europa que ignora deliberadamente a Rússia e o Irã, redesenhando as cadeias de suprimentos globais em um cenário de sanções contra Moscou.

O TRIPP não se limita a trilhos e estradas; o projeto integra gasodutos, oleodutos e cabos de fibra ótica de alta capacidade. A proposta busca capitalizar o “dividendo da paz” após quatro décadas de conflitos étnicos na região. Contudo, a Rússia, através do vice-ministro das Relações Exteriores, Mikhail Galuzin, reagiu afirmando que a proposta da Rosatom continua sendo a mais viável do ponto de vista financeiro e tecnológico.

Ignorando os comentários, Vance resumiu a nova abordagem norte-americana para a região:

“Não estamos apenas fazendo a paz pela Armênia. Estamos também criando prosperidade real para a Armênia e os Estados Unidos juntos.”

A visita de Vance segue para o Azerbaijão, consolidando a estratégia de Washington de preencher o vácuo de poder deixado pela Rússia, cuja atenção e recursos permanecem drenados pelo prolongado conflito na Ucrânia.

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