Departamento de Estado dos EUA planeja financiar organizações de direita na Europa para combater leis de regulação digital e promover valores do movimento MAGA.

O governo dos Estados Unidos está preparando uma ofensiva diplomática e financeira sem precedentes na Europa.
O Departamento de Estado planeja financiar think-tanks e instituições de caridade alinhadas ao movimento MAGA (Make America Great Again) para disseminar as posições políticas de Washington e desafiar legislações europeias de regulação de conteúdo, vistas pelo governo Trump como ameaças à liberdade de expressão.
A iniciativa, vinculada às celebrações do 250º aniversário da independência dos EUA, é liderada por Sarah Rogers, subsecretária de Diplomacia Pública. Em missões recentes por Londres, Paris, Berlim e Bruxelas, Rogers articulou o uso de recursos federais para impulsionar os “valores americanos” e combater o que a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA classifica como “colapso civilizacional” decorrente da migração em massa e da censura.
O foco central da administração Trump são leis como o Online Safety Act do Reino Unido e o Digital Services Act da União Europeia. Washington interpreta essas normas como esquemas regulatórios voltados especificamente contra a indústria tecnológica americana. Um alto integrante do partido populista britânico Reform UK, que esteve em contato com Rogers, comentou.
“A administração dos EUA está em uma cruzada para salvar a Europa. Eles têm um verdadeiro carinho pelo Reino Unido, mas sentem que o país está sob ameaça de forças obscuras que se espalham pelo continente.”
A estratégia de Rogers é descrita por críticos e aliados como o uso de um fundo para “dar o pontapé inicial em iniciativas estilo MAGA” fora dos EUA. A ideia é financiar organizações locais que possam minar políticas governamentais que Washington considera “tirânicas”. Durante um discurso no Prosperity Institute, em Londres, Rogers não poupou críticas ao arcabouço legal britânico.
“É claro que o britânico médio quer ser uma pessoa livre, quer viver em um país livre. O Reino Unido está sob um emaranhado de leis que têm efeitos de censura.“
Essa movimentação deve gerar forte atrito diplomático, especialmente com governos de centro-esquerda, como o Partido Trabalhista no Reino Unido. Para esses aliados, o uso de fundos estatais americanos para interferir em políticas domésticas é visto como uma violação da etiqueta diplomática tradicional.
O Departamento de Estado norte-americano, todavia, defende a legalidade da ação. Um porta-voz afirmou que o uso de recursos é transparente e visa a avançar os interesses americanos no exterior. Eles rejeitam o termo “fundo clandestino”, alegando que cada concessão é totalmente divulgada e responsável.
Ao financiar a oposição ideológica dentro de democracias aliadas, os EUA de Trump redefinem o conceito de influência global, trocando a cooperação multilateral pelo apoio direto a movimentos populistas e de direita no coração da Europa.
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