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Estados Unidos concluem saída da OMS, citando custos, soberania e falhas na Covid. Washington promete atuação global via acordos bilaterais para suprir lacunas.

Imagem: OMS

O divórcio entre os Estados Unidos e a Organização Mundial da Saúde foi consumado, selando uma ruptura histórica que expõe não apenas divergências sanitárias, mas uma mudança mais ampla na forma como Washington enxerga governança global.

Na quinta-feira (22), o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos confirmou que o país concluiu formalmente sua retirada da Organização Mundial da Saúde, após quase 80 anos de participação. A decisão veio com uma ordem executiva assinada por Donald Trump em 20 de janeiro de 2025, primeiro dia de seu segundo mandato, e segue o prazo legal de um ano exigido desde a adesão norte-americana à entidade em 1948.

O governo Trump justificou a saída alegando má gestão da pandemia de Covid-19, pagamentos considerados desproporcionais e alinhamento da OMS a interesses chineses no início da crise sanitária. Autoridades afirmaram que o país “não tem recebido retorno compatível com o valor financeiro e humano investido” e classificaram a retirada como “uma promessa feita e cumprida”.

Segundo o governo, todo o financiamento federal à OMS foi encerrado, profissionais norte-americanos foram retirados da organização e os Estados Unidos deixaram de participar de comitês, grupos técnicos e instâncias de governança. Embora ainda exista uma dívida estimada em cerca de US$ 260 milhões, especialistas apontam que a OMS não possui instrumentos para forçar o pagamento.

O pano de fundo econômico da decisão é relevante. Os Estados Unidos eram o maior financiador individual da organização, e a Casa Branca sustenta que os custos para o contribuinte e para a economia do país superaram os benefícios, sobretudo após o atraso da OMS em declarar emergência global, a resistência em reconhecer a transmissão aérea do vírus e a postura adotada em relação à China.

Apesar da ruptura, o governo afirma que continuará atuando na área de saúde global por meio de acordos bilaterais, organizações não governamentais e iniciativas lideradas pelo Centro Global de Saúde do CDC. Críticos, porém, alertam que esse modelo fragmentado pode comprometer vigilância epidemiológica e resposta rápida a futuras crises.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a decisão como um cenário de perdas mútuas.

“Os Estados Unidos perdem, e o resto do mundo, com certeza, perde.

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