EUA apoiam criação de mineradora para adquirir ativos de cobre e cobalto no Congo. O plano visa a garantir minerais críticos e reduzir a dominância da China na África.

O governo dos Estados Unidos planeja a criação de uma mineradora estatal para atuar no “Cinturão de Cobre” da África. O grupo Orion CMC, que conta com apoio soberano do governo norte-americano e de Abu Dhabi, anunciou um acordo preliminar para comprar 40% das operações de cobre e cobalto da Glencore na República Democrática do Congo (RDC).
A transação é o primeiro grande passo do consórcio Orion CMC desde sua criação no final do ano passado. A iniciativa aprofunda os esforços da administração Trump para garantir o suprimento de minerais críticos e recuperar o terreno perdido para a China no continente africano. O valor total dos ativos é estimado em cerca de US$ 9 bilhões.
A nova entidade será composta por 60% de participação da Glencore e 40% da Orion CMC. Segundo fontes próximas ao negócio, o veículo poderá ser usado para adquirir ativos adicionais na região e, eventualmente, abrir capital no futuro. O movimento marca uma mudança na estratégia norte-americana, que agora busca alianças de suprimento em nível governamental e programas de estocagem.
“O acordo entre Orion CMC e Glencore reflete os objetivos centrais do Acordo de Parceria Estratégica EUA-RDC, incentivando maiores investimentos americanos no setor de mineração da RDC”, afirmou Christopher Landau, Subsecretário de Estado dos Estados Unidos.
A operação é complexa devido a sanções impostas pelos EUA ao bilionário israelense Dan Gertler, que recebe royalties das minas. O governo americano trabalha para garantir que a transação ocorra dentro da legalidade. Além disso, a Orion CMC já negocia a inclusão de outros países aliados como investidores no projeto.
Um porta-voz Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA afirmou que “o investimento visa a alavancar o conhecimento de mercado e a expertise da Orion para aumentar a segurança da cadeia de suprimentos de minerais críticos para os EUA e seus aliados”.
A entrada direta do governo americano no setor de mineração africano sinaliza uma nova era de geopolítica de recursos. Ao criar um braço estatal para competir com a hegemonia chinesa, Washington tenta assegurar os materiais essenciais para a transição energética e a indústria de defesa, e faz da RDC um campo de batalha estratégico por recursos minerais.
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