Os Estados Unidos ameaçam cortar o envio de dólares ao Iraque para forçar a exclusão e o desarmamento de milícias pró-Irã. Eleição de ex-miliciano para cargo político foi estopim.

O governo dos Estados Unidos pressiona líderes políticos iraquianos a formar um novo governo que exclua milícias xiitas apoiadas por Teerã, sob ameaça de, entre outras sanções, interromper o envio de dólares em espécie provenientes das vendas de petróleo do país. Autoridades norte-americanas também exigem um plano considerado “crível” para o rápido desarmamento desses grupos armados.
A tensão aumentou após a eleição de Adnan Fayhan, ex-integrante da milícia Asaib Ahl al-Haq, para o cargo de primeiro vice-presidente do Parlamento. A reação em Washington foi imediata, com a embaixada americana no país classificando o movimento como “comportamento hostil” e exigindo sua substituição.
Embora os Estados Unidos tenham retirado suas tropas do território iraquiano, a influência política e financeira norte-americana segue central. Desde 2003, Bagdá depende de um arranjo singular pelo qual recebe bilhões de dólares em espécie, enviados mensalmente a partir das receitas de petróleo depositadas no Federal Reserve. O mecanismo sempre foi visto por Washington como vulnerável a desvios para milícias, políticos corruptos e para o próprio Irã.
A ameaça de cortar esse fluxo, descrita por uma fonte como “a opção nuclear”, reacendeu temores de instabilidade econômica e social em um país ainda marcado por fragilidade institucional. Em 2015, uma suspensão temporária do envio de dólares já havia provocado forte turbulência.
O processo de formação do governo ocorre após eleições em que grupos paramilitares ampliaram sua influência, reforçando críticas sobre corrupção, captura do Estado e uso da violência. Embora menos visíveis, essas milícias continuam poderosas e formalmente integradas às forças de segurança.
Diante da pressão, integrantes da aliança xiita Co-ordination Framework sinalizaram disposição para substituir Fayhan. O desarmamento, porém, permanece um ponto sensível. As milícias defendem que suas armas são essenciais para a defesa do país e resistem a qualquer prazo imediato.
Para Washington, o momento é estratégico, como descreve Victoria Taylor, ex-integrante do Departamento de Estado.
“Dada a fraqueza do Irã e o medo das milícias em relação a Trump, por que os Estados Unidos não pressionariam o máximo possível?”
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