Espanha aprova regularização de 500 mil imigrantes por decreto. Medida gera reação acalorada da oposição e desafia a tendência europeia de endurecer políticas migratórias.

Enquanto grande parte da Europa endurece o discurso migratório, a Espanha decidiu nadar contra a corrente.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez aprovou, nesta terça-feira (27), uma medida extraordinária que pode conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes em situação irregular. A iniciativa foi adotada por decreto real, permitindo ao Executivo contornar um Parlamento fragmentado, e expôs uma divisão política profunda em meio a um cenário econômico e social já tensionado.
O plano prevê que estrangeiros que comprovem residência contínua no país por pelo menos cinco meses até 31 de dezembro de 2025, além de ausência de antecedentes criminais, possam solicitar autorização de residência e trabalho a partir de abril, com prazo final em 30 de junho. O anúncio foi feito em Madri e representa uma das maiores regularizações migratórias da Europa nos últimos anos.
A iniciativa foi costurada entre o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) , de Sanchez, e o Podemos, que reivindicou protagonismo político na medida. Para Irene Montero, secretária-geral do partido, a regularização garante imediatamente uma autorização provisória de residência e trabalho por um ano, além da suspensão de processos de deportação.
“Conseguimos o que o PSOE não queria fazer”, afirmou.
O governo defende que a política migratória é um pilar da economia espanhola. Sánchez sustenta que a imigração respondeu por cerca de 80% do crescimento econômico nos últimos seis anos e por aproximadamente 10% das contribuições à seguridade social. O desemprego caiu para menos de 10% no fim de 2025, com estrangeiros concentrando a maioria das novas contratações no último trimestre.
A oposição reagiu com dureza. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, acusou Sánchez de tentar “desviar a atenção” de uma crise nacional provocada por acidentes ferroviários fatais. “Na Espanha socialista, a ilegalidade é recompensada”, declarou. Já o Vox anunciou que recorrerá à Suprema Corte, classificando o decreto como inaceitável e acusando o governo de estimular um efeito de atração migratória.
A última regularização de grande escala ocorreu em 2005, sob outro governo socialista. Duas décadas depois, a Espanha volta a apostar que imigração é solução econômica, ainda que o preço político seja alto. Para críticos e aliados, o decreto não trata apenas de migrantes, mas do próprio modelo de país que Madri deseja sustentar.
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