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Encontro na Suiça reúne líderes sob tensão global. Na pauta, pressão de Trump sobre a Europa e o esfacelamento da ordem econômica global.

Imagem: Fabrice Coffrini / AFP

O Fórum Econômico Mundial começa sob tensão rara nesta segunda-feira (19), em Davos, na Suiça.

O evento reunirá os principais líderes globais em uma conjuntura que diplomatas descrevem como a maior reconfiguração da ordem internacional desde o fim da Guerra Fria.

O presidente norte-americano, Donald Trump, lidera a maior delegação dos Estados Unidos já enviada ao evento e chega pressionando aliados europeus com ameaças tarifárias, disputas sobre a Groenlândia e uma agenda externa marcadamente assertiva.

No radar, a invasão russa da Ucrânia, que segue como fator de instabilidade, o avanço econômico e tecnológico da China e a crescente disputa por influência global. Nesse contexto, o presidente dos Estados Unidos tem defendido menos complacência estratégica e mais pressão direta sobre aliados e adversários.

A tensão com a Europa aumentou após Trump ameaçar impor tarifas a países da OTAN que resistem à sua proposta de assumir o controle da Groenlândia, considerada estratégica para a segurança do Ártico.

Em resposta, Reino Unido, Dinamarca, França, Alemanha e outros países divulgaram um comunicado conjunto alertando para o risco de uma “espiral descendente perigosa” nas relações transatlânticas.

Além das ameaças transatlânticas, líderes europeus chegam a Davos pressionados por baixo crescimento econômico, dependência militar e paralisados nas respostas às atitudes de de Moscou e Pequim.

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Washington, em contraste, aposta na força econômica como trunfo diplomático.

Trump deve usar seu discurso para destacar o desempenho da economia norte-americana e cobrar mudanças no modelo europeu, que ele considera estagnado. Um assessor da Casa Branca afirmou que o presidente vai “enfatizar que os Estados Unidos e a Europa precisam deixar para trás a estagnação econômica e as políticas que a causaram”.

O encontro também será palco de negociações sensíveis sobre a guerra na Ucrânia, com a presença do presidente Volodymyr Zelenskyy, além de discussões paralelas envolvendo Venezuela, Irã e Oriente Médio. A movimentação intensa da delegação norte-americana alimenta a expectativa de anúncios concretos fora do discurso público.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, o momento é crítico. “Quando líderes atropelam o direito internacional e escolhem quais regras seguir, não estão apenas minando a ordem global, mas criando um precedente perigoso”, alertou.

No frio alpino de Davos, a mensagem é clara: a velha ordem ruiu. Que entre o novo mundo.

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