Obrigado pela leitura! Gostou? Então compartilhe e ajude o WoW a reduzir o ruído na geopolítica.

Relatos apontam que a RSF sequestrou crianças em Darfur após matar seus pais. Especialistas dizem que os atos podem configurar crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Imagem: UNICEF/UNI580580/Elfatih

O avanço de forças paramilitares no oeste do Sudão reacendeu memórias sombrias de um conflito que nunca foi plenamente encerrado. Testemunhos indicam que combatentes das Forças de Apoio Rápido, a RSF, sequestraram crianças durante a tomada da cidade de al-Fashir, em Darfur, em outubro do último ano, em meio à guerra civil que devasta o país desde 2023.

Segundo mais de duas dezenas de relatos, crianças foram arrancadas de suas famílias durante ataques, em vários casos logo após a execução de seus pais. Quatro testemunhas afirmaram que combatentes da RSF disseram abertamente que os menores seriam usados como escravos, principalmente para cuidar de rebanhos. Ao todo, foram descritos ao menos 23 episódios distintos de sequestro, envolvendo pelo menos 56 crianças e jovens com idades entre dois meses e 17 anos.

A guerra no Sudão opõe a RSF ao Exército sudanês em uma disputa direta pelo controle de um país estratégico, dotado de reservas minerais, terras agrícolas e acesso ao Mar Vermelho. Darfur, em particular, ocupa posição central nesse tabuleiro, tanto por sua localização quanto por seu histórico de conflitos étnicos e repressão violenta.

Juristas afirmam que os sequestros podem configurar crimes de guerra e crimes contra a humanidade, além de violarem tratados internacionais que proíbem a escravidão e o tráfico de pessoas. A RSF negou atacar civis de forma deliberada.

A trajetória do grupo adiciona peso às acusações. A RSF surgiu a partir das milícias Janjaweed, responsáveis por atrocidades em Darfur no início dos anos 2000, período marcado por denúncias de genocídio. À época, crianças também foram forçadas a trabalhos domésticos, cuidados com animais e exploração sexual.

O atual cerco e a queda de al-Fashir, cidade que abrigava centenas de milhares de deslocados, consolidaram o domínio da RSF sobre Darfur. O conflito já matou dezenas de milhares de pessoas e provocou o que a ONU classifica como a maior crise humanitária do mundo.

Durante uma sessão do Conselho de Segurança, a promotoria do Tribunal Penal Internacional confirmou que investiga crimes cometidos em al-Fashir, com foco especial em violência contra mulheres e crianças.

“Com base nas evidências reunidas até agora, acreditamos que crimes de guerra e crimes contra a humanidade foram cometidos”, afirmou a promotora adjunta Nazhat Shameem Khan.

Leia mais:

Quer entender melhor o cenário atual? Leia também as últimas matérias que selecionamos para você.


Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.

Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.

Obrigado pela leitura! Gostou? Então compartilhe e ajude o WoW a reduzir o ruído na geopolítica.