Merz silencia ante ameaças de Trump à Espanha e ataques a Starmer, gerando revolta em Madri. Berlim aposta no apaziguamento público para salvar relação transatlântica.

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O Chanceler alemão, Friedrich Merz, encontra-se sob fogo cruzado na Europa após seu encontro com o presidente Donald Trump em Washington na última terça-feira (03).
Durante a reunião, Merz manteve-se em silêncio obsequioso enquanto Trump ameaçava impor um embargo comercial total à Espanha e desferia ataques pessoais ao Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer.
A estratégia de Merz de “não contradizer o aliado em frente às câmeras” foi duramente criticada em Madri e Paris, sendo classificada pelo chanceler espanhol, José Manuel Albares, como “impensável” e desprovida de solidariedade europeia.
A tensão diplomática escalou quando Trump justificou as ameaças à Espanha devido à recusa do governo de Pedro Sánchez em ceder bases militares para a guerra contra o Irã e em atingir a nova meta de 5% do PIB para defesa na OTAN.
Em vez de defender o parceiro de mercado comum, Merz limitou-se a concordar com as críticas de Trump sobre os gastos militares espanhóis.
Embora Berlim alegue que o Chanceler defendeu os aliados em conversas privadas e que a diplomacia alemã preza pela discrição, a imagem de submissão no Salão Oval fortaleceu a narrativa de uma Europa fragmentada sob a pressão da administração Trump.
VISÃO WOW
O espectro da fatídica censura pública à Zelensky no Salão Oval ainda paira sobre a memória europeia.
Merz ao menos não pode ser acusado de falta de princípios: assentir frente as bravatas de Trump é postura que o alemão já adota desde que assumiu o posto.
No entanto, a estratégia de supostamente trocar reprimendas abertas por negociações sérias nos bastidores não vem rendendo frutos.
A cada nova crise, seja no conflito comercial, em disputas territoriais ou agora na resposta europeia à guerra do Irã, o cisma transatlântico se acentua, mesmo que discursos vazios sobre alinhamento e união sejam proferidos ao final dos encontros.
As diferentes posturas adotas pelas capitais europeias, por sua vez, escancaram como as fissuras não se dão apenas entre oceanos: no próprio continente, a retórica se converte em fronteira, afastando as principais potências do continente quando o bloco mais precisa se aproximar.
Entre propostas de múltiplas velocidades, supergrupos e “coalizões dos dispostos”, Paris e Berlim disputam hegemonia nas decisões, reduzindo a atratividade do bloco e sua margem de manobra em disputas internacionais.
Além disso, atropelam nações menores, empurrando-as para o campo de influência econômica e política dos adversários, estejam eles onde estiverem no mapa.
Enquanto não fala com uma só voz, a UE acentua sua própria insignificância. Perde força política e capacidade de influência, relegando a União a mero mercado comum.
Importante, sem dúvida, mas longe dos ideias propostos em sua carta de fundação.
SUA VISÃO
Friedrich Merz está sendo um diplomata habilidoso ao evitar o confronto direto com Trump ou está sacrificando a dignidade da Europa para tentar salvar a economia alemã sozinho?
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