Pequim define meta de PIB abaixo de 5%, a menor em décadas, e foca em IA e defesa para resistir a pressão norte-americana. Plano de crescimento quer fim da dependência do Ocidente.

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A China anunciou nesta quinta-feira (05) uma meta de crescimento do PIB entre 4,5% e 5% para o ano de 2026, o menor patamar oficial desde 1991.
O anúncio ocorreu na abertura do Congresso Nacional do Povo, em Pequim, e sinaliza que correções estruturais de longo prazo são as prioridades de momento para o governo de Xi Jinping.
Enfrentando deflação crônica, desemprego recorde entre jovens e uma trégua instável na guerra comercial com Donald Trump, a liderança chinesa busca o que chama de “crescimento de alta qualidade”.
Para blindar o país contra a pressão de Washington, Pequim elevou seu orçamento militar em 7% e lançou um plano quinquenal focado em autossuficiência tecnológica. O foco absoluto está em inteligência artificial, computação quântica e semicondutores, visando eliminar a dependência do Ocidente.
Analistas sugerem que as recentes intervenções dos EUA no Irã e na Venezuela aceleraram a urgência de Xi em blindar a economia chinesa contra sanções.
VISÃO WOW
Em meio ao noticiário conturbado, Pequim tem feito o possível para passar despercebida.
Enquanto Trump gasta vidas, recursos e capital político em intervenções, conflitos e bravatas, Xi Jinping aproveita o momento para, entre críticas contidas ao adversário e apoio tímido aos aliados, colocar a própria casa em ordem.
O líder chinês sabe que precisa.
Abstraindo a discussão sobre validade dos números, uma projeção de crescimento de 4,5% em uma economia que superou US$ 20 bilhões em 2025 é, mesmo que inferior a anos anteriores, um feito significativo. Ainda assim, a estimativa, a menor desde 1991, é evidência clara de que o modelo está emperrado.
O desemprego fechou o ano passado estável, em 5,2%, mas segue superando 15% para aqueles entre 16-24 anos, com picos beirando os 19% em agosto. Com menos jovens no mercado de trabalho, o gap entre contribuintes e beneficiários da previdência segue em vertiginoso crescimento.
Adcionalmente, o mercado imobiliário, responsável por aproximadamente um quarto do PIB chinês, não vê sinais de melhora, registrando números negativos pelo quinto ano seguido. Estimativas dão conta de quedas nas vendas e nos preços disseminadas por cidades grandes e pequenas.
Last but not least, o défict nos governos locais e regionais, impactado inicialmente pelo custo fiscal severo da resposta à pandemia e em seguida pela desaceleração nos imóveis, continua em níveis alarmantes. A pressão tira flexibilidade da gestão em Pequim, reduzindo sua margem para criar novos programas de estímulo.
Combinados, os problemas são a tempestade perfeita para o terror maior do Partido Comunista Chinês: a instabilidade social.
Diante das próprias dificuldades internas, faz sentido que Xi se abstenha de comprar brigas internacionais que não lhe trarão dividendos. Rússia e Irã, portanto, não devem esperar mais que apoio retórico a seus pleitos. E, mesmo nesse caso, é improvável que Pequim deixe de usá-los como moeda de troca em negociações que lhe interessem mais, como a disputa comercial com Washington ou o estreito de Taiwan.
Para o mundo, a persistências dos problemas deixa um recado claro: esse ainda não será o ano em que o modelo exportador chinês sairá de cena.
Os mercados internos que se preparem.
SUA VISÃO
A meta de crescimento mais baixa da China é um sinal de fraqueza econômica real ou uma manobra deliberada para focar recursos em uma guerra tecnológica definitiva contra os EUA?
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