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Adquirindo participações significativas em dois bancos sírios, Doha passa a controlar os principais canais financeiros da reconstrução da Síria no pós-guerra.

Imagem: Sana

Nas primeiras semanas deste ano, o Catar consolidou seu papel como principal intermediário financeiro da reconstrução da Síria.

Na esteira da retirada das restrições impostas pela sanções norte-americanas, Doha assumiu o controle de bancos estratégicos do país, dando início a uma nova fase na realidade síria, menos militar e cada vez mais financeira.

O grupo catariano Estithmar Holding, ligado ao conglomerado Power International Holding, adquiriu 60% do Shahba Bank e uma participação relevante no Syrian International Islamic Bank, marcando as primeiras aquisições estrangeiras no sistema bancário sírio desde a queda de Bashar al-Assad.

A iniciativa ocorre em um momento crítico, com o Banco Central da Síria tentando recapitalizar um setor fragilizado por 14 anos de guerra e isolamento internacional.

Oficialmente, trata-se de uma operação voltada à estabilidade e à governança financeira. O movimento, porém, dá a Doha o controle de canais essenciais de crédito, pagamentos internacionais e acesso ao sistema financeiro global, transformando seus bancos em portas de entrada quase obrigatórias para investidores interessados no país.

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A estratégia catariana contrasta com a abordagem de outros atores regionais.

Enquanto a Arábia Saudita aposta em projetos visíveis de infraestrutura, habitação e serviços públicos para ampliar sua influência, o Catar escolhe setores de elite, como bancos, energia e logística soberana. É uma forma de influência que privilegia a eficácia ao barulho.

A operação foi viabilizada após o fim das sanções norte-americanas, um sinal claro de que Washington prefere integrar a Síria a circuitos financeiros supervisionados por aliados do que empurrá-la novamente para a órbita de Rússia e China. Nesse contexto, o capital catariano funciona como uma ponte política aceitável entre Damasco e o Ocidente.

O Banco Central sírio evitou comentar detalhes, mas afirmou apoiar iniciativas que fortaleçam a estabilidade do setor. Fontes próximas ao Shahba Bank também demonstraram entusiasmo com a operação.

“Eles têm um plano muito ambicioso para fortalecer o capital e facilitar a comunicação com bancos correspondentes”.

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