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A presença de capital de Abu Dhabi por trás da fusão entre a portuguesa Galp e espanhola Moeve levanta alertas sobre a soberania energética europeia.

Imagem: SIC Notícias / Galp

Conforme avançam as negociações para a fusão da companhia de energia portuguesa Galp com a energética espanhola Moeve, um tema sensível ganhou o centro do debate: o controle de ativos estratégicos europeus por potências estrangeiras.

A operação prevê a criação de duas novas plataformas. A primeira, dedicada à venda de combustível, terá controle compartilhado entre Galp e Moeve. A segunda será responsável, entre outro serviços, pelo refino e pelas iniciativas sustentáveis. Nesta segunda empresa, a Galp ficará minoritária, detendo pouco mais de 20% do capital. O controlo efetivo caberá aos acionistas da Moeve, entre eles o fundo soberano de Abu Dhabi e o fundo norte-americano Carlyle.

O ponto mais sensível é a refinaria de Sines, hoje a única em operação em Portugal e responsável por cerca de 90% dos combustíveis consumidos no país. Além de estratégica para o abastecimento nacional, Sines concentra investimentos relevantes em descarbonização e logística, sendo também um dos maiores polos exportadores portugueses.

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Lisboa encara com cautela a possível perda de controle sobre a refinaria.

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, afirmou que o Executivo está “atento aos interesses estratégicos do Estado”, reconhecendo que, embora se trate de um negócio entre empresas privadas, há implicações diretas para a soberania energética nacional.

O Estado, por meio da gestora de participações Parpública, detém 8,24% da Galp, o que reforça o seu papel político no acompanhamento das negociações.

Do ponto de vista empresarial, a Galp defende que a operação permite ganhar escala ibérica e europeia, em linha com recomendações de líderes como Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, que apontam a fragmentação industrial como uma das fragilidades da Europa. A empresa portuguesa afirma ainda que, concluído o negócio, poderá reforçar o foco no segmento de exploração e produção de petróleo e gás, especialmente no Brasil e na Namíbia, áreas de maior retorno financeiro.

A proposta evidencia o dilema europeu: enquanto a União Europeia tenta reduzir dependências externas em setores críticos, uma das maiores operações energéticas da Península Ibérica avança com forte peso de capital do Oriente Médio.

Resta saber até que ponto o bloco será capaz de equilibrar soberania estratégica e globalização.

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