Espremido entre dois gigantes, Ottawa tenta reaproximação com China apesar do histórico de tensões comerciais. Primeiro-ministro visita Pequim e elogia Xi Jinping.

Nesta quinta-feira (15), em Pequim, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, celebrou o que chamou de um “novo ponto de partida” nas relações com a China.
Elogiando publicamente a liderança de Xi Jinping, Carney sinalizou uma reaproximação estratégica, fruto de um cenário global marcado por rivalidades geopolíticas e insegurança comercial.
A visita de quatro dias, a primeira de um premiê canadense desde 2017, ocorre após anos de relações frias, agravadas por prisões diplomáticas, tarifas cruzadas e pelo alinhamento de Ottawa às políticas comerciais dos Estados Unidos.
Agora, diante de tensões comerciais com Washington e da incerteza sobre o futuro do acordo norte-americano de livre comércio, o Canadá busca diversificar parceiros, ainda que isso implique flertar com Pequim.
Carney foi direto ao tom. Em encontro com Zhao Leji, principal legislador chinês e presidente do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, afirmou que o governo canadense está “encorajado pela liderança do presidente Xi Jinping e pela rapidez com que a relação avançou”. Segundo ele, a reaproximação abre espaço para parcerias estratégicas que vão de energia e agricultura à segurança e ao multilateralismo.
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Do lado chinês, o discurso seguiu o roteiro esperado. O premiê Li Qiang declarou que os dois países devem aprofundar a cooperação para “defender o multilateralismo e o livre comércio”, além de “respeitar os interesses centrais” de cada lado. Pequim também manifestou interesse em ampliar investimentos e estabilizar o comércio bilateral, abalado após Ottawa impor tarifas pesadas a veículos elétricos chineses em 2024.
O pano de fundo é menos idealista do que os discursos sugerem. A China precisa diversificar fontes de energia e mercados confiáveis, enquanto o Canadá tenta reduzir sua dependência histórica do mercado norte-americano. Não por acaso, Pequim já superou os Estados Unidos como principal compradora do petróleo transportado pelo oleoduto canadense Trans Mountain.
Ainda assim, a ironia geopolítica é evidente. Ao buscar autonomia estratégica, Ottawa se aproxima de um regime autoritário que subsidia sua indústria, distorce mercados e desafia regras internacionais, justamente aquelas que o Ocidente diz defender. O primeiro-ministro, porém, foi realista.
“Uma relação pragmática e construtiva entre nossas nações criará maior estabilidade, segurança e prosperidade dos dois lados do Pacífico.”
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