Imagens de satélite confirmam a expansão da base e de infraestrutura de drones perto da fronteira entre os países, sinalizando a perigosa regionalização da guerra civil sudanesa. Emirados Árabes seriam financiadores.

Uma investigação revelou a existência de um campo militar secreto na região de Benishangul-Gumuz, na Etiópia, destinado ao treinamento de milhares de combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF) do Sudão.
Situado a apenas 32 km da fronteira, a base representa a evidência mais direta do envolvimento de Adis Abeba na guerra civil sudanesa. A infraestrutura contaria com financiamento e apoio logístico dos Emirados Árabes Unidos (EAU), intensificando a internacionalização do conflito.
Imagens de satélite e documentos de inteligência indicam que o campo tem capacidade para até 10 mil soldados. Relatórios apontam a presença de instrutores militares e veículos de logística em uma operação coordenada pela inteligência de defesa etíope. O movimento ocorre enquanto os combates no sul do Sudão escalam, transformando o estado do Nilo Azul em uma frente de batalha crítica. Estima-se que, até o início de janeiro deste ano, mais de 4.000 combatentes tenham passado pelo local,
A atividade militar estende-se ao aeroporto de Asosa, que recebeu novas instalações para operação de drones. Especialistas identificaram estações de controle terrestre e antenas de satélite similares a outras bases de UAV na Etiópia.
Embora o governo etíope afirme que a base serve para proteger infraestruturas críticas, como a Grande Represa da Renascença (GERD), analistas sugerem que o aeroporto é instrumental no reabastecimento das RSF através da fronteira. O Ministério das Relações Exteriores dos EAU negou qualquer envolvimento:
“Os Emirados Árabes Unidos não são parte do conflito ou estão de qualquer forma envolvidos nas hostilidades no Sudão.”
A aliança militar entre o primeiro-ministro Abiy Ahmed e Abu Dhabi tem se fortalecido desde 2018, consolidada por bilhões de dólares em investimentos e ajuda financeira. A presença de recrutas de diversas nacionalidades no campo de Menge, incluindo rebeldes sudaneses, sinaliza que a guerra civil do Sudão está se tornando um catalisador para a instabilidade em todo o Chifre da África, ameaçando arrastar países vizinhos para um embate regional direto.
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