A Arábia Saudita condenou os ataques das RSF no Sudão e denunciou a interferência de potências estrangeiras que fornecem armas e mercenários ao conflito. Críticas de Riad têm como alvo os Emirados Árabes.

A Arábia Saudita elevou o tom contra a escalada de violência no Sudão, condenando duramente os recentes ataques das Forças de Apoio Rápido (RSF) nos estados de Kordofan.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores saudita classificou as ações da milícia como “criminosas” e “injustificáveis”, após ataques com drones vitimarem dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças que fugiam dos combates.
A crítica de Riad, no entanto, vai além do campo de batalha imediato. O reino denunciou a persistente entrada de armas ilegais e mercenários no país, apontando que “certas partes” estão alimentando o conflito, que já se arrasta por quase três anos. Embora o governo saudita não tenha nomeado os responsáveis, a declaração ocorre em meio a graves acusações de Cartum contra os Emirados Árabes Unidos (EAU) por suposto apoio logístico e militar às RSF.
“Estes ataques constituem violações flagrantes de todas as normas humanitárias e acordos internacionais. Algumas partes estão alimentando o conflito enviando armas e combatentes, apesar de afirmarem apoiar uma solução política,” aponta o comunicado saudita.
A tensão reflete uma fratura mais profunda no cenário regional. A Arábia Saudita, que mediou negociações em Jeddah em 2023, vê seus esforços de cessar-fogo serem sistematicamente ignorados. O ataque recente a comboios do Programa Mundial de Alimentos (WFP) é visto por diplomatas como uma tática deliberada de usar a privação de alimentos como arma de guerra. O Ministério das Relações Exteriores do Sudão reforçou o apelo por responsabilização.
“O alvo de comboios de ajuda e ativos humanitários representa uma tentativa deliberada de minar a entrega de assistência àqueles que precisam. Não é um incidente isolado, mas um padrão adotado pela milícia.”
Este embate indireto entre Riad e Abu Dhabi no Sudão ecoa a rivalidade já vista no Iêmen, onde os dois aliados históricos divergiram sobre o apoio a grupos separatistas.
Colocando-se como parceira da integridade territorial sudanesa, a Arábia Saudita tenta se consolidar como o pilar de estabilidade na região, confrontando agendas externas que, aos olhos de Riad, priorizam ganhos geopolíticos em detrimento da sobrevivência do Estado sudanês.
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