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Macron enfrenta oposição de Merz e Meloni ao seu projeto “Made in Europe” na cúpula da UE. O eixo Berlim-Roma rejeita o protecionismo francês, focando na competitividade e no livre comércio para evitar conflitos.

Imagem: Governo da Itália

Emmanuel Macron desembarca nesta quinta-feira(12) na Bélgica decidido a transformar a cúpula de líderes da União Europeia em um divisor de águas para a economia do bloco.

O presidente francês defende o projeto “Made in Europe”, uma cartilha que prega o aumento do investimento público e regras rígidas de preferência para empresas locais em licitações governamentais. Paris, no entanto, encontrou um obstáculo de peso: a crescente sintonia entre o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

O novo “casal vinte” da Europa não parece disposto a comprar a receita de Paris. Enquanto Macron enxerga a autonomia estratégica como um escudo contra as incertezas globais, Merz e Meloni articulam uma agenda voltada ao livre comércio e à desburocratização. Para Berlim e Roma, o protecionismo francês corre o risco de afugentar investimentos e alienar parceiros comerciais essenciais. Friedrich Merz foi enfático ao abordar a perda de terreno do bloco frente aos competidores globais:

“Devemos tornar nossa economia competitiva novamente. Temos caído cada vez mais atrás dos EUA e da China por mais de uma década. Precisamos agora reverter essa tendência.”

A resistência a Macron não é isolada. Países como Holanda, Suécia e as nações bálticas já alertaram que o favoritismo regional pode ser um erro estratégico. A percepção em Bruxelas é que a força política de Macron está em declínio, com diplomatas sugerindo que sua condição de “carta fora do baralho”, a pouco mais de um ano de deixar o cargo, limita sua capacidade de ditar os rumos do continente.

Giorgia Meloni, por sua vez, tem priorizado o alinhamento com a Alemanha. Roma e Berlim assinaram um documento conjunto focado na redução de regulamentações, ignorando as medidas de preferência europeia de Paris. Alberto Rizzi, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, aponta o pragmatismo da dupla.

“Tanto Merz quanto Meloni estão menos dispostos que Macron a irritar o presidente Trump. Ambos estão mais expostas em termos de compras públicas, especialmente em equipamentos militares.”

O isolamento de Macron ficou evidente com a organização de uma reunião pré-cúpula liderada por Merz e Meloni, reunindo mais de uma dezena de países.

Ao hesitar em participar de um encontro onde os rumos da competitividade europeia serão decididos, o presidente francês arrisca ver sua ambiciosa “independência estratégica” ser substituída por um pragmatismo germânico-italiano que prioriza a sobrevivência econômica sobre o simbolismo nacionalista.

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