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Friedrich Merz prepara reforma histórica no BND: espiões alemães terão poder de sabotagem e ataques cibernéticos pela primeira vez desde 1945. Meta é reduzir dependência dos serviços de inteligência dos EUA.

Imagem: Liesa Johannssen/Reuters

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O governo do chanceler Friedrich Merz está pavimentando o caminho para um verdadeiro “Zeitenwende” da inteligência alemã.

Diante da crescente desconfiança sobre a continuidade do compartilhamento de dados por parte dos Estados Unidos, Berlim prepara uma reforma legislativa robusta que visa a conceder ao Serviço Federal de Inteligência (BND) poderes sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Pela proposta, a agência poderá realizar operações de sabotagem no exterior, conduzir ciberataques ofensivos e utilizar ferramentas de inteligência artificial para vigilância em massa. Essa medida representa uma ruptura drástica com as restrições impostas no pós-guerra, originalmente desenhadas para evitar que o aparato de espionagem repetisse os abusos da Gestapo e da SS nazistas.

Atualmente, a Alemanha depende de Washington para cerca de 98% de seus alertas contra o terrorismo e ameaças de sabotagem russa. No entanto, o recente episódio em que os EUA suspenderam temporariamente a inteligência para a Ucrânia serviu como um alerta final para Merz de que a dependência excessiva pode ser usada como alavanca política.

Para reverter esse cenário, o orçamento do BND foi elevado em 26%, atingindo € 1,51 bilhão em 2026. Somado a isso, o projeto de lei prevê a criação de uma “situação especial de inteligência”, que permitiria ao Conselho de Segurança Nacional autorizar medidas ativas de neutralização de ameaças, transformando o BND de um mero coletor de informações em um ator operacional agressivo no cenário global.

VISÃO WOW

A reforma de Friedrich Merz é um passo corajoso, mas também arriscado, na busca pela soberania estratégica alemã.

Por um lado, é irracional que a maior economia da Europa seja cega e surda sem a benevolência da CIA ou da NSA. Ao buscar capacidades de sabotagem e guerra cibernética, a Alemanha finalmente admite que o mundo das regras multilaterais ruiu e que a dissuasão agora exige dentes, não apenas relatórios. A mudança, portanto, é uma resposta pragmática a um Trump que trata a inteligência como mercadoria de troca e a uma Rússia que já realiza ataques híbridos diários em solo alemão.

Todavia, o peso do passado ainda assombra. A cultura política alemã é profundamente sensível à vigilância estatal, e relaxar as leis de proteção de dados para permitir o uso de IA e reconhecimento facial gerará resistências internas ferozes. O desafio de Merz jaz justamente em equilibrar essa nova musculatura operacional com mecanismos de controle parlamentar que garantam que o BND não se torne um estado dentro do estado.

Se a reforma passar, a Alemanha deixará de ser mero cliente dos serviços norte-americanos para se tornar um sócio capaz – ou até mesmo rival – no tabuleiro da espionagem.

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A Alemanha deve romper totalmente com os seus tabus do pós-guerra para se defender de ameaças modernas ou o risco de criar um aparato de espionagem avançado é alto demais?

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