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Parlamento Europeu congela acordo UE-Mercosul, acirra divisão entre França e Alemanha e expõe choque entre geopolítica e democracia no bloco.

Imagem: Liesa Johanssen/Reuters

O acordo entre União Europeia e Mercosul, negociado por mais de duas décadas, voltou a emperrar no momento decisivo. O impasse joga luz novamente sobre as profundas divisões internas no bloco europeu e revela como comércio, geopolítica e soberania se entrelaçam em um cenário internacional cada vez mais tenso.

Nesta quarta (21), na cidade francesa de Estrasburgo, o Parlamento Europeu aprovou por margem apertada o envio do acordo UE-Mercosul à Corte de Justiça da União Europeia, congelando o processo de ratificação. Foram 334 votos a favor da consulta jurídica, 324 contra e 11 abstenções. A decisão suspende a votação final prevista para os próximos meses e pode adiar o acordo por mais de um ano.

O pacto, assinado no último dia 17, prevê a criação de uma zona de livre comércio com mais de 700 milhões de consumidores e a eliminação de tarifas sobre mais de 90% dos produtos.

Defensores apontam ganhos para a indústria europeia e um reforço da posição estratégica do bloco em meio a fricções constantes com os Estados Unidos. Já críticos, liderados por França e Polônia, alertam para riscos à agricultura europeia e à soberania alimentar, temor que levou milhares de agricultores a protestarem em Estrasburgo às vésperas da votação.

A decisão abriu um confronto institucional. A Comissão Europeia lamentou o resultado e afirmou que buscará convencer os parlamentares sobre a “importância geoestratégica” do acordo. Tecnicamente, Bruxelas ainda pode aplicar o tratado de forma provisória, mas isso agravaria o desgaste político entre as instituições do bloco.

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A Alemanha reagiu com dureza. O chanceler Friedrich Merz afirmou que a decisão “avalia mal a situação geopolítica” e defendeu a aplicação imediata do acordo. Para Berlim, pressionada por dificuldades industriais e pela política comercial agressiva de Donald Trump, o Mercosul é peça-chave para diversificar mercados e garantir autonomia estratégica europeia.

Sem mais atrasos,” escreveu Merz. “O acordo deve agora ser aplicado provisoriamente.

Em Paris, o tom foi oposto. Autoridades francesas celebraram a votação como necessária para proteger a agricultura e garantir controle democrático sobre grandes acordos comerciais.

O impasse ilustra um dilema central da União Europeia: avançar rapidamente na base do realismo geopolítico ou preservar procedimentos democráticos internos, mesmo ao custo de perder tempo e influência em um mundo cada vez mais competitivo.

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