RN e AfD consolidam avanço em eleições locais na França e na Alemanha, respectivamente. Partido de Marine Le Pen lidera pesquisas para presidenciais em 2027 e extrema-direita alemã pode formar maioria já este ano.

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As eleições na França e na Alemanha, realizadas neste domingo, confirmaram uma tendência de crescimento sustentado da direita radical na Europa.
Na França, o Rassemblement National (RN), de Marine Le Pen e Jordan Bardella, celebrou o que chamou de “maior avanço de sua história”, conquistando dezenas de cidades de médio porte, especialmente no sul.
Na Alemanha, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) mais do que dobrou sua votação no estado ocidental da Renânia-Palatinado, atingindo 19,5% e conquistando seu melhor desempenho em um estado ocidental, tradicionalmente resistente à sigla.
Apesar do avanço geográfico, os resultados revelam um racha claro em solo francês: os partidos de direita radical dominam o interior e as zonas rurais, mas encontram dificuldades nos grandes centros. Em solo francês, o RN foi derrotado em alvos estratégicos como Marselha, Toulon e Nîmes, onde a união de partidos tradicionais no segundo turno, o chamado “cordão sanitário”, barrou a vitória.
Em terras alemãs, contudo, a barreira começa a cair. Embora a CDU, partido conservador do chanceler Friedrich Merz, tenha garantido uma vitória importante com 31%, o colapso dos sociais democratas do SPD,seus parceiros de coalizão (SPD), abre espaço para que a AfD amplie sua participação em regiões fora do tradicional bastião no leste do país.
VISÃO WOW
Os críticos se apegam a novas derrotas nas metrópoles, mas ascenção da extrema-direita segue inexorável na Europa.
O “cordão sanitário” francês definha.
O Reagrupamento Nacional (RN) provou que sua estratégia de “desdemonização” e implantação local funcionou: o partido agora possui capilaridade em cidades médias, transformando prefeituras em vitrines administrativas para o grande salto almejado para 2027. Jordan Bardella não é mais apenas um rosto jovem para atrair o TikTok: ele é o favorito de uma população saturada da tecnocracia vazia de Macron.
O sinal de alerta é ainda mais estridente à leste.
O fato de a AfD ter dobrado sua votação na Renânia-Palatinado, um estado ocidental, derruba o mito de que o partido é um fenômeno restrito ao antigo leste empobrecido. A líder Alice Weidel está batendo na ferida aberta de Friedrich Merz: o declínio industrial alemão. A retórica da AfD de “Alemanha Primeiro” ressoa com força em setores manufatureiros. A sangria desenfreada do SPD, parceiros de coalização de Merz, tende a dificultar ainda mais a governança, cobrando capital político para que as urgentes reformas econômicas sejam colocadas em prática.
A fragmentação política na UE ocorre no pior momento possível. Enquanto a Rússia pressiona as fronteiras orientais e os EUA impõem tarifas, as duas locomotivas da Europa, França e Alemanha, voltam-se para dentro. O avanço da direita radical força os partidos tradicionais a uma guinada conservadora para sobreviver, o que acaba por normalizar as pautas da própria direita radical. Na prática, mesmo quando não vencem, Le Pen e Weidel estão pautando o debate sobre imigração, segurança e protecionismo industrial.
A Europa, com isso, torna-se mais fechada, mais defensiva e menos disposta a sacrifícios em nome da integração continental ou da ajuda externa.
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