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Gestora alerta que investimento de € 1 trilhão em infraestrutura pode estimular bolhas de preços. O foco em soberania política, em vez de viabilidade econômica, ameaça inflar setores sensíveis.

Imagem: Krisztian Bocsi/Bloomberg

A busca da Europa pela “autonomia estratégica” em infraestrutura crítica, como redes elétricas e digitais, está gerando um alerta de bolha financeira. A Partners Group, uma das maiores gestoras de capital privado do continente, advertiu que o fluxo massivo de capital está inflando o preço dos ativos de forma insustentável.

Países como Alemanha, Itália e Reino Unido prometeram investir mais de € 1 trilhão para modernizar rodovias, ferrovias e centros de dados. Esse movimento é uma resposta direta à agressividade russa, às tensões comerciais com os EUA e à competição com a China, mas pode resultar em projetos economicamente inviáveis. Esther Peiner, chefe de infraestrutura da Partners Group, alertou.

“Os investidores precisam ter cuidado ao construir infraestrutura que seja cara demais ou que não tenha demanda sem o estímulo.”

O setor de centros de dados é visto como um dos mais arriscados. Há o temor de um cenário de construção excessiva, onde a infraestrutura cresce mais rápido do que a demanda real, especialmente com avanços tecnológicos que podem tornar instalações obsoletas antes mesmo de serem concluídas. Peiner destacou que investimentos movidos por metas políticas muitas vezes ignoram a relação risco-retorno.

“Isso significa que, para nós, uma proposta europeia subsidiada provavelmente não é de interesse. Atualmente vemos oportunidades mais atraentes em uma base de risco-retorno fora do mercado europeu.”

Outros líderes do setor reforçam o coro. Borje Ekholm, CEO da Ericsson, classificou como “perigosa” a ideia de soberania europeia total em relação aos EUA, alertando que tentar criar alternativas europeias à tecnologia americana pode elevar os preços e alienar Washington.

Embora a soberania nacional seja uma prioridade política em 2026, o custo econômico dessa independência pode ser alto demais. A criação de “campeões nacionais” e infraestruturas subsidiadas corre o risco de gerar um mercado artificial, deixando investidores e governos expostos a ativos desvalorizados no longo prazo.

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