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Pequim reage a planos de Camberra de retomar o Porto de Darwin e alerta para impacto em comércio, investimentos e relações bilaterais.

Imagem: David Gray/AFP

A China deixou claro que não pretende assistir passivamente à perda de um ativo estratégico no Indo-Pacífico.

Pequim afirmou acompanhar “muito de perto” os planos do governo australiano para retomar o controle do Porto de Darwin, hoje arrendado a uma empresa chinesa. Pequim já sinalizou que poderá intervir caso necessário para proteger seus interesses.

O alerta foi feito nesta semana em Camberra, quando o embaixador chinês Xiao Qian reagiu à promessa do primeiro-ministro Anthony Albanese de forçar a venda do arrendamento de 99 anos do porto, concedido em 2015 ao grupo chinês Landbridge. O Porto de Darwin é a principal instalação marítima do norte da Austrália, localizado próximo ao Sudeste Asiático e a bases que recebem rotações de fuzileiros navais norte-americanos.

A disputa ocorre em um momento sensível das relações sino-australianas. Desde a vitória de Albanese em 2022, os laços comerciais entre os dois países melhoraram, mas o porto permanece como um ponto de atrito. A China é o maior parceiro comercial da Austrália, respondendo por 24% de todo o comércio de bens e serviços no último ano fiscal, um volume estimado em US$ 309 bilhões.

Xiao afirmou que uma retomada forçada do ativo obrigaria o governo chinês a agir. “O governo chinês tem a obrigação de proteger os interesses legítimos das empresas chinesas no exterior”, disse. Ele criticou o que classificou como incoerência comercial de Canberra.

“Quando o porto dava prejuízo, foi arrendado a uma empresa estrangeira. Agora que começou a dar lucro, querem tomá-lo de volta. Isso não é uma forma adequada de fazer negócios.”

A Landbridge pagou cerca de US$ 506 milhões pelo arrendamento e registrou lucro de US$ 9,6 milhões no último exercício, após perdas significativas no ano anterior. Duas revisões oficiais, encomendadas por governos de centro-direita e centro-esquerda, concluíram que não havia fundamento de segurança nacional para rescindir o contrato.

Apesar disso, Albanese reiterou que a venda forçada atende ao “interesse nacional” e afirmou que negociações comerciais seguem em andamento para devolver o porto ao controle australiano.

Para Pequim, o caso vai além de um terminal portuário.

“Se medidas forçadas forem adotadas, isso poderá afetar investimentos, cooperação e comércio”, advertiu Xiao. “Isso também não é do interesse da Austrália.”

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