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Pequim reduz a quase a metade seus empréstimos à África em 2024. Recalibrando sua estratégia, o país abandonou megaprojetos em dólar e avançou no uso do yuan.

Imagem: IC

A China reduziu quase pela metade seus empréstimos à África em 2024, limitando o volume a US$ 2,1 bilhões, no primeiro recuo anual desde a pandemia. Os dados, divulgados pela Universidade de Boston, indicam uma inflexão estratégica relevante na atuação financeira de Pequim no continente africano, com implicações geopolíticas e monetárias de longo alcance.

O montante representa menos de 10% do pico registrado em 2016, quando os financiamentos chineses alcançaram US$ 28,8 bilhões, auge da Iniciativa Cinturão e Rota. Entre 2012 e 2018, os aportes superavam consistentemente US$ 10 bilhões anuais, impulsionados por megaprojetos de infraestrutura, como ferrovias, rodovias, portos e usinas, geralmente denominados em dólar e respaldados por garantias soberanas.

Esse modelo entrou em crise após os choques econômicos da pandemia, a elevação global dos juros e o agravamento do endividamento africano. Países como Zâmbia, Gana e Etiópia entraram em default ou em situação de estresse fiscal, obrigando Pequim a absorver prejuízos e reavaliar sua exposição externa.

Desde então, a China vem abandonando projetos bilionários e priorizando iniciativas menores, financeiramente viáveis e frequentemente estruturadas como investimento estrangeiro direto. Outro elemento central dessa reconfiguração é o avanço do yuan como moeda de financiamento, em detrimento do dólar.

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Em 2024, todos os empréstimos chineses para infraestrutura no Quênia foram denominados em yuan. Em outubro, o país converteu US$ 3,5 bilhões de dívidas chinesas da moeda norte-americana para a chinesa. A Etiópia estuda medida semelhante, enquanto bancos de desenvolvimento da China e da África Austral firmaram o primeiro acordo de cooperação financeira denominado em yuan.

A retração também reduziu o número de projetos. Apenas seis foram financiados no continente em 2024, com destaque para Angola, que recebeu US$ 1,45 bilhão para modernização da rede elétrica e rodovias, refletindo a preferência chinesa por parceiros estratégicos e históricos.

Segundo o Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, “à medida que a era dos projetos bilionários chega ao fim, os instrumentos financeiros em evolução da China podem definir uma nova fase de engajamento mais seletiva”.

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