Unindo-se à Espanha, Portugal reforça sua candidatura à gigafábrica europeia de IA. A decisão reflete a disputa geopolítica por soberania tecnológica e o peso estratégico da inteligência artificial.

Portugal decidiu abandonar a corrida solitária para tentar garantir uma das cinco gigafábricas de Inteligência Artificial promovidas pela Comissão Europeia. Em uma disputa marcada por forte competição geopolítica e interesses estratégicos de longo prazo, Lisbou optou por firmar parceria com a Espanha e transformar a candidatura em um projeto ibérico.
A movimentação ocorre após Bruxelas receber 76 manifestações de interesse, vindas de 20 países, para apenas 5 infraestruturas consideradas críticas para a soberania tecnológica europeia. Diante desse cenário, o governo português optou por reforçar a proposta inicial apresentada pelo Banco Português de Fomento (BPF), ampliando investimento, escopo e impacto do projeto, originalmente estimado em mais de € 4 bilhões.
A gigafábrica de IA é concebida como uma infraestrutura de computação em larga escala destinada ao treinamento de modelos avançados, um pilar central da estratégia europeia para reduzir dependências externas, especialmente em relação aos Estados Unidos e à Ásia. Em termos práticos, trata-se de um movimento para não ficar definitivamente à margem da corrida global pela liderança em inteligência artificial.
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Segundo Gonçalo Regalado, presidente do BPF, o reforço da candidatura portuguesa será anunciado nas próximas semanas e deverá aumentar significativamente as chances de sucesso.
O executivo destacou que, após a manifestação de interesse inicial, houve maior procura por parte de empresas e parceiros, permitindo uma proposta “mais ampla” e com maior robustez financeira e operacional. A candidatura prevê Sines como localização principal, além de um segundo local, em linha com a exigência de redundância imposta por Bruxelas.
Ainda assim, o próprio banco tem moderado expectativas. Apesar da vantagem de apresentar uma candidatura unificada entre setor público e parceiros privados, a concorrência é descrita como intensa e fragmentada em outros países.
Foi nesse contexto que Portugal optou por unir forças com Madri. O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, admitiu que a dimensão da disputa tornou inviável seguir sozinho.
“Juntámo-nos aos espanhóis. Faremos uma candidatura conjunta”, afirmou, acrescentando que os países estão “esperançosos por bons resultados”.
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