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Em Davos, Mark Carney afirmou que a velha ordem global acabou. O Primeiro Ministro criticou o uso de coerção econômica por grandes potências e defendeu união de países médios diante da pressão dos Estados Unidos.

Imagem: Sean Kilpatrick / The Canadian Press

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou nesta terça-feira (20), em Davos, que a antiga ordem mundial “não vai voltar”.

O líder alertou que países de médio porte precisam agir em conjunto para não se tornarem vítimas da coerção econômica imposta pelas grandes potências.

A afirmação foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, em meio à escalada de tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, a Europa e a disputa estratégica pela Groenlândia. Sem citar Donald Trump nominalmente, Carney deixou claro o alvo de suas críticas ao denunciar o uso de tarifas, cadeias produtivas e infraestrutura financeira como instrumentos de pressão política.

“Os países médios precisam agir juntos porque, se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio”, afirmou o premiê canadense, arrancando aplausos da plateia ao reafirmar o apoio de Ottawa à Groenlândia, à Dinamarca e à Otan.

Segundo Carney, o mundo vive “uma ruptura, não uma transição”. Para ele, as grandes potências passaram a instrumentalizar a integração econômica como arma, transformando tarifas em alavancas políticas e cadeias de suprimentos em vulnerabilidades exploráveis.

“As grandes potências começaram a usar a integração econômica como armas, tarifas como alavancagem e infraestrutura financeira como coerção”, disse.

O discurso ocorre em um contexto de crescente tensão entre Washington e aliados tradicionais. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o Canadá foi alvo de tarifas elevadas e passou a ser frequentemente tratado pelo presidente norte-americano como o “51º estado”. Mais recentemente, Trump incluiu o Canadá em sua ofensiva retórica e política para assumir o controle da Groenlândia, território parcialmente soberano ligado à Dinamarca.

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Como membro da Otan, Carney reafirmou o compromisso canadense com a defesa coletiva e com o direito de autodeterminação da Groenlândia. “Nosso compromisso com o Artigo Cinco é inabalável”, declarou, em referência à cláusula que considera um ataque a um membro como ataque a todos.

A possibilidade de envio de tropas canadenses à Groenlândia também entrou no radar.

A imprensa local informou que Ottawa avalia enviar um pequeno contingente para exercícios militares na região, ao lado de forças dinamarquesas e europeias. Questionada em Davos, a ministra das Relações Exteriores, Anita Anand, afirmou que o Canadá “participa regularmente de exercícios da Otan” e que decisões sobre futuras mobilizações cabem ao Ministério da Defesa.

Carney também sinalizou uma mudança pragmática na política externa canadense, baseada na formação de “coalizões diferentes para temas diferentes”, ancoradas em interesses e valores comuns. O premiê citou acordos recentes de comércio e investimento com China e Catar, além de um pacto de compras militares firmado com a União Europeia no ano passado.

Ao encerrar, Carney reforçou a mensagem central de seu discurso, resumindo o novo cenário global.

“Geografia e alianças históricas não garantem mais segurança ou prosperidade”.

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