Escalada sobre a Groenlândia derruba mercados e leva Washington a minimizar vendas de títulos enquanto defende anexação por segurança estratégica.

A crise em torno da Groenlândia ganhou contornos ainda mais críticos no início desta semana.
Em meio à escalada de tensões com aliados históricos, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, tratou com desdém a venda de títulos norte-americanos por investidores europeus e classificou a Dinamarca como “irrelevante”.
Falando a jornalistas durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Bessent afirmou que a decisão de um fundo de pensão dinamarquês de se desfazer de US$ 100 milhões em títulos do Tesouro não preocupa Washington.
“O investimento da Dinamarca em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, assim como a própria Dinamarca, é irrelevante”, disse.
A declaração ocorre após o presidente Donald Trump ameaçar impor tarifas de 10% a oito países europeus, com aumento posterior para 25%, como parte de sua ofensiva para incorporar a Groenlândia ao território norte-americano. O anúncio provocou um movimento de “venda Estados Unidos” nos mercados, derrubando ações e títulos e elevando os juros da dívida.
O operador de previdência dinamarquês AkademikerPension confirmou a venda de US$ 100 milhões em títulos, citando “finanças fracas do governo” dos Estados Unidos. Analistas apontam que a reação pode ir além da Dinamarca, já que países europeus detêm cerca de US$ 8 trilhões em ações e títulos norte-americanos.
Leia mais:
A Bazuca europeia: como funciona o Instrumento Anticoerção da UE
O fim da relação: os impactos da separação econômica de EUA e Europa
O tema ganhou força após um relatório do Deutsche Bank afirmar que a principal fragilidade dos Estados Unidos é a dependência de capital externo para financiar seus déficits. Segundo George Saravelos, chefe global de câmbio do banco, “não está claro por que os europeus continuariam dispostos a desempenhar esse papel” em um cenário de instabilidade geoeconômica do Ocidente.
Bessent, contudo, afirmou que o CEO do banco entrou em contato pessoalmente para dizer que a instituição “não endossa” o relatório.
No centro da crise está a Groenlândia, considerada por Washington um ativo estratégico à medida que o Ártico se torna mais acessível. Bessent foi direto: “Estamos pedindo aos nossos aliados que entendam que a Groenlândia precisa fazer parte dos Estados Unidos”.
A resposta local foi dura.
“Encontrar-nos no meio de uma tempestade para sermos adquiridos como um produto ou uma propriedade é devastador”, afirmou a ministra de Negócios da Groenlândia, Naaja Nathanielsen. Segundo ela, a ilha está aberta a negócios, “mas não está à venda”.
Leia mais:
A Bazuca europeia: como funciona o Instrumento Anticoerção da UE
O fim da relação: os impactos da separação econômica de EUA e Europa
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.