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Trump criou o “Board of Peace”, um organismo internacional para Gaza e possivelmente outros conflitos, com Trump como chairman e convite a dezenas de países; projeto altera papeis multilaterais tradicionais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lidera a criação de um novo organismo internacional chamado “Board of Peace” (Conselho da Paz), concebido para supervisionar não apenas a transição de Gaza após o longo conflito entre Israel e o Hamas, mas também potencialmente atuar como um mecanismo global de resolução de conflitos que pode rivalizar com instituições tradicionais como o Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

Originalmente proposto em setembro de 2025 como parte do plano de paz de Trump para cessar-fogo em Gaza, o Conselho da Paz foi endossado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em novembro de 2025, com a justificativa de coordenar a reconstrução do território devastado pela guerra. 

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O mandato inicial do organismo seria supervisionar a implementação de um governo tecnocrático palestino e acompanhar a reconstrução física e administrativa da faixa de Gaza, em colaboração com múltiplos parceiros internacionais. 

Segundo o estatuto do novo conselho, o próprio Trump se nomeou presidente da entidade, que deverá se reunir pelo menos uma vez por ano, com poder formal para vetar decisões e influenciar sua agenda. 

Embora o comitê se proponha a promover estabilidade, restabelecer governança funcional e consolidar a paz em áreas afetadas por conflitos, críticos apontam que o texto não limita claramente as ações ao território palestino e pode extrapolar para outros pontos de tensão global. 

O convite para participação foi enviado a cerca de 60 países, com membros — incluindo Argentina, Marrocos, Hungria e Canadá — já tendo aceitado integrar o conselho. Países como Austrália, Brasil, Turquia, Itália e Paquistão também — segundo o estatuto — foram convidados a participar. Lideranças como o presidente russo Vladimir Putin e chefes de governo europeus avaliam suas respostas, com algumas nações expressando cautela. 

Um dos aspectos mais controversos do Conselho é que os participantes podem assegurar um assento permanente mediante contribuição mínima de US$ 1 bilhão, sugerindo que o financiamento para reconstrução de Gaza seria canalizado também por meio dessa nova instituição, o que levanta críticas sobre influência, acesso e legitimidade. 

Organismos internacionais e analistas em Nova York têm alertado que o modelo pode, na prática, deslocar autoridade do sistema multilateral tradicional da ONU para uma estrutura liderada unilateralmente pelos Estados Unidos, com Trump mantendo poderes amplos de veto e nomeação. Isso ameaça a centralidade do direito internacional vigente desde o fim da Segunda Guerra Mundial e pode enfraquecer instituições como o Conselho de Segurança. 

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