O Parlamento Europeu está profundamente dividido sobre o acordo UE-Mercosul, com votações refletindo oposição agrícola e política, apesar da assinatura do tratado após décadas de negociação.

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul — considerado um dos mais ambiciosos tratados de livre-comércio do mundo — está profundamente dividido no Parlamento Europeu, refletindo uma tensão crescente entre interesses econômicos, agrícolas e políticos dentro do bloco europeu enquanto o processo de ratificação avança.
O pacto, assinado em 17 de janeiro após mais de 25 anos de negociações, ainda precisa do aval legislativo dos eurodeputados para entrar em vigor, e opiniões estão quase empatadas entre apoio e rejeição, criando um impasse institucional cada vez mais delicado.
O tratado, que visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta com países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — ainda enfrenta resistência interna significativa no Parlamento Europeu.
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Em votações recentes, amplos grupos de eurodeputados expressaram ceticismo ou oposição ao acordo, resultando em derrotas em resoluções de apoio e na rejeição de propostas que saudavam a conclusão do pacto por estreita margem de votos.
Dados de votações anteriores mostram que 269 eurodeputados votaram contra uma resolução, contra 259 a favor, indicando polarização substancial.
A divisão não é meramente numérica, mas também ideológica e setorial. Parlamentares ligados a partidos de esquerda, verdes e alguns grupos liberais temem que a abertura comercial intensifique a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul com os setores sensíveis da União Europeia, especialmente no caso da produção de carne e grãos.
Organizações representando agricultores europeus levantam preocupações sobre possíveis impactos negativos nos mercados locais e pressões competitivas adicionais, apesar de medidas de salvaguarda terem sido negociadas para proteger setores vulneráveis.
Ao mesmo tempo, defensores do acordo — incluindo representantes governamentais de países como Alemanha, Espanha e União Europeia como um todo — destacam os potenciais benefícios econômicos, como maior acesso a mercados, redução de tarifas e novas oportunidades de exportação de bens industriais europeus para um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Eles argumentam que, diante de desafios geoeconômicos globais, a diversificação comercial com parceiros no Mercosul é estrategicamente relevante para fortalecer a posição europeia em cadeias de valor globais.
Apesar da assinatura e do apoio de governos nacionais, o Parlamento Europeu permanece um ponto de estrangulamento chave, com múltiplas votações e possíveis recursos legais que podem atrasar, alterar ou mesmo descarrilar o processo de ratificação.
A disputa destaca a dificuldade de conciliar interesses agrícolas, industriais e ambientais em um bloco heterogêneo de 27 países, ao mesmo tempo em que se tenta fechar um acordo econômico histórico.
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