Irã pode suspender bloqueio de internet imposto durante a repressão aos protestos, após televisor estatal ser hackeado; governo condiciona retorno total à “segurança apropriada”.

O Irã sinalizou nesta segunda-feira (19) que pode suspender o bloqueio total da internet que vigorava desde o início de janeiro, à medida que autoridades enfrentam um dos mais violentos levantes internos desde a Revolução Islâmica de 1979.
A possível reabertura digital ocorre após relatos de um ataque hacker à televisão estatal, que expôs vulnerabilidades no controle informacional do regime e aumentou a pressão política em Teerã.
Um membro sênior do Parlamento iraniano disse que o governo está considerando restaurar o acesso à internet “nos próximos dias”, desde que as chamadas “condições de segurança apropriadas” sejam atendidas.
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A restrição de comunicações foi imposta no contexto de uma repressão violenta a protestos antigovernamentais que começaram no final de dezembro e deixaram um número significativo de mortos e feridos em todo o país.
Enquanto o regime mantém uma versão parcialmente filtrada da rede — apelidada por especialistas de “filternet” — ainda não há clareza sobre quando o acesso completo será reestabelecido.
A estratégia de bloquear a internet foi adotada pelo governo iraniano como uma ferramenta para conter a circulação de informações entre manifestantes e limitar a visibilidade internacional dos protestos, que desafiaram o controle clerical sobre amplas camadas da população.
Na noite de domingo, a televisão estatal do Irã pareceu ter sido hackeada temporariamente, exibindo mensagens que incluíam discursos do exilado Reza Pahlavi, filho do último xá do país, e trechos de pronunciamentos de líderes estrangeiros que apelavam à revolta popular — um episódio que alguns observadores interpretam como um sinal de fragilidade no aparato de comunicação do regime.
Autoridades iranianas disseram que a decisão final sobre a internet será tomada por órgãos de segurança, que ponderam os riscos de restaurar o serviço diante de protestos repentinos e da possibilidade de novas mobilizações coordenadas online.
A televisão estatal também informou que prisões continuam em diversas cidades, inclusive na capital, em meio a relatos de que agentes considerados “terroristas” por Teerã estariam sendo detidos em operações de segurança.
A perspectiva de um retorno à conectividade total ocorre num momento em que observadores internacionais e grupos de direitos humanos pressionam por maior transparência e respeito às liberdades civis no Irã.
A restrição digital prolongada — junto com relatos de mortes e detidos em massa — levou a críticas globais sobre a postura do governo em relação à dissidência interna e à censura.
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