Análise do Banco Mundial aponta economia global resistente a choques, mas alerta que mundo caminha para a década de crescimento mais fraco desde os anos 1960.

A economia global voltou a surpreender analistas, demonstrando resiliência diante de tarifas, conflitos e incertezas políticas. O fôlego, porém, parece ter prazo de validade.
Segundo o mais recente relatório do Banco Mundial, mesmo com uma recuperação mais robusta do que a prevista em 2025, o mundo caminha para a década de crescimento mais fraco desde os anos 1960.
O dado central do estudo é claro: o desempenho acima do esperado dos Estados Unidos tem sido o principal amortecedor da desaceleração global. A economia norte-americana cresceu 2,1% no último ano e deve avançar 2,2% em 2026, impulsionada sobretudo pelo forte investimento em inteligência artificial e tecnologia de ponta. Esse dinamismo respondeu por cerca de dois terços da revisão positiva das projeções globais.
“O mundo provou ser surpreendentemente resistente desde a pandemia”, afirmou Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial. Ainda assim, o alerta é direto: resiliência não é sinônimo de vitalidade ou continuidade.
O crescimento global foi revisado para 2,7% em 2025, com leve desaceleração prevista para 2,6% em 2026, antes de uma recuperação modesta em 2027. A melhora recente decorreu, em parte, da antecipação do comércio internacional diante de mudanças tarifárias e da reorganização das cadeias globais de suprimento, fenômeno que tende a perder força nos próximos meses.
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Do ponto de vista geopolítico, o relatório expõe uma economia mundial cada vez mais fragmentada, pressionada por disputas comerciais, endividamento recorde e choques sucessivos, como a guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia.
A China, principal motor da globalização nas últimas décadas, teve suas projeções revisadas para cima, mas seu crescimento segue desacelerando, mantendo-se distante dos patamares vistos no passado recente.
O impacto é particularmente severo para países em desenvolvimento. Enquanto quase todas as economias avançadas já superaram a renda per capita pré-pandemia, uma em cada quatro nações emergentes ainda não conseguiu se recuperar. Com 1,2 bilhão de jovens ingressando no mercado de trabalho na próxima década, o desafio da falta de empregos tende a se intensificar.
“Com cada ano que passa, a economia global se torna menos capaz de gerar crescimento”, concluiu Gill, em tom soturno.
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