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China perde população pelo quarto ano seguido. Combinação de baixa natalidade e envelhecimento acelerado ampliam riscos econômicos e estratégicos.

Imagem: Ally Song / Reuters

A população da China voltou a encolher em 2025.

O resultado marcou o quarto ano consecutivo de queda, aprofundando uma crise demográfica que já se impõe como um dos maiores desafios estratégicos do regime de Pequim.

Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (19) mostram que o país perdeu 3,39 milhões de habitantes no último ano, em um cenário que combina menos nascimentos, envelhecimento acelerado e pressão crescente sobre a economia.

Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, o número de nascimentos caiu para 7,92 milhões em 2025, uma retração de 17% em relação ao ano anterior e o menor patamar já registrado. A taxa de natalidade recuou para 5,63 por mil habitantes, enquanto as mortes subiram para 11,31 milhões, elevando a taxa de mortalidade ao nível mais alto desde 1968.

O saldo é claro: a população total caiu para 1,405 bilhão de pessoas.

O quadro preocupa não apenas demógrafos, mas estrategistas globais. Uma China mais velha, menor e com menos trabalhadores compromete os planos do Partido Comunista de expandir o consumo interno, sustentar o crescimento econômico e financiar ambições geopolíticas em um mundo cada vez mais competitivo.

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Hoje, cerca de 23% da população chinesa tem mais de 60 anos. Até 2035, esse grupo deve alcançar 400 milhões de pessoas, número equivalente à soma das populações dos Estados Unidos e da Itália.

“O número de nascimentos em 2025 está aproximadamente no mesmo nível de 1738, quando a população da China era de apenas 150 milhões”, afirmou Yi Fuxian, demógrafo da Universidade de Wisconsin-Madison, destacando a gravidade histórica do declínio.

O governo tenta reagir. Pequim ampliou a idade mínima de aposentadoria, criou subsídios nacionais para filhos e prometeu cobrir integralmente os custos médicos da gravidez a partir de 2026. Ainda assim, especialistas alertam que os efeitos da política do filho único, que vigorou de 1980 a 2015, continuam a projetar uma longa sombra sobre a sociedade chinesa.

Hoje, a taxa de fecundidade chinesa gira em torno de um filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição.

Com isso, a China vê seu potencial econômico e estratégico ser corroído silenciosamente, em contraste com países como os Estados Unidos, cuja dinâmica demográfica segue sendo uma vantagem estrutural de longo prazo.

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