Museveni é declarado vencedor da eleição em Uganda com quase 72 por cento dos votos, amplia poder em meio a denúncias de fraude, episódios de violência e incertezas sobre sua sucessão.

O presidente Yoweri Museveni foi declarado neste sábado o vencedor por ampla margem da eleição presidencial de Uganda, estendendo seu domínio sobre o país para quase cinco décadas após um pleito marcado por episódios de violência, denúncias de fraude e forte contestação da oposição.
O resultado consolida o poder do veterano líder africano em meio a crescentes especulações sobre sua sucessão.
Segundo a Comissão Eleitoral de Uganda, Museveni obteve pouco menos de 72 % dos votos, enquanto seu principal adversário, o cantor e político Bobi Wine, ficou com cerca de 24 %. Aos 81 anos, Museveni alcança a vitória que buscava para reforçar sua posição política em um momento delicado, tanto internamente quanto no cenário regional.
Bobi Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, rejeitou o resultado e voltou a denunciar fraude em larga escala. A eleição ocorreu sob um bloqueio nacional da internet, medida que o governo afirmou ser necessária para conter a disseminação de desinformação e evitar distúrbios.
Leia mais:
Taiwan se aproxima dos EUA com novo acordo comercial
China desafia restrições e sustenta linha financeira essencial a Teerã
A oposição, por sua vez, afirma que a restrição comprometeu a transparência do processo e dificultou a fiscalização independente.
A tensão aumentou após Wine afirmar que sua residência foi alvo de uma operação militar na noite anterior à divulgação dos resultados. Em publicação nas redes sociais, ele disse ter conseguido escapar da ação das forças de segurança. “A noite passada foi muito difícil em nossa casa. Os militares e a polícia nos invadiram. Eles desligaram a energia e cortaram algumas das nossas câmeras de segurança”, afirmou. “Quero confirmar que consegui escapar. Atualmente, não estou em casa.”
Wine acrescentou que sua esposa e outros familiares estariam em prisão domiciliar, informação que não pôde ser verificada de forma independente. Pessoas próximas ao opositor disseram à Reuters que ele permanece em local não revelado dentro de Uganda.
Apesar das preocupações, não se confirmaram temores de violência em larga escala semelhantes às registradas recentemente em outros países da região. Museveni, no poder desde 1986, já alterou a Constituição duas vezes para remover limites de idade e de mandatos, mantendo forte controle sobre as instituições do Estado.
Embora enfrente críticas constantes por seu histórico em direitos humanos, Museveni é visto por governos ocidentais como um aliado estratégico, especialmente por sua atuação militar em países como a Somália e por acolher milhões de refugiados.
Internamente, parte da população valoriza a estabilidade política e aposta no crescimento econômico prometido com o início da produção de petróleo.
Com a vitória confirmada, cresce a especulação sobre a sucessão. Museveni é frequentemente apontado como favorável à ascensão de seu filho, o chefe militar Muhoozi Kainerugaba, algo que ele nega. Em entrevista recente, o presidente rejeitou qualquer ideia de deixar o poder: “Se eu estiver disponível, não morto, não senil, por que você não iria querer tirar proveito de mim?”, disse.
Leia mais:
Taiwan se aproxima dos EUA com novo acordo comercial
China desafia restrições e sustenta linha financeira essencial a Teerã
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.