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Parlamento Europeu cogita atrelar a aprovação do acordo com os Estados Unidos a uma solução para a questão da Groenlândia. Proposta gera fortes divisões no bloco.

Imagem: Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/AP

Nos últimos dias, frente a declarações cada vez mais agressivas do presidente norte-americano Donald Trump sobre a Groenlândia, o Parlamento Europeu passou a debater uma nova estratégia: atrelar a aprovação de um amplo acordo comercial com os Estados Unidos a uma resolução política para a questão.

O acordo, negociado pela Comissão Europeia sob Ursula von der Leyen, já está parcialmente em vigor, mas ainda depende do aval do Parlamento Europeu para se tornar definitivo. Agora, parlamentares europeus avaliam adiar a votação, prevista para o fim de janeiro, fazendo uso da mesma munição de Trump: transformar comércio em instrumento de retaliação política.

A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, ganhou centralidade no debate após Trump afirmar que a ilha é vital para a segurança nacional norte-americana em virtude de sua posição estratégica no Ártico. Para Washington, o avanço de China e Rússia na região precisa ser contido com urgência.

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“Está claro que a soberania nacional de qualquer país precisa ser respeitada por todos os parceiros de um acordo comercial”, afirmou Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu. O próprio Lange admitiu, no entanto, que o processo está travado pela falta de clareza política e pela divisão interna entre direita e esquerda no Parlamento.

Enquanto partidos de centro-direita defendem seguir com a votação, grupos de esquerda pressionam pelo adiamento. Estes argumentam que a proposta em debate seria “desequilibrada” em favor dos Estados Unidos, e veem na questão do Ártico um instrumento apto a reabrir as discussões.

O risco, alertam analistas, é fazer do acordo comercial refém de disputas ideológicas, enfraquecendo a relação transatlântica em um momento de crescentes ameaças vindas de Moscou e Pequim.

Comentando suas expectativas, Lange foi lacônico:

“Ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias”.

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