FMI projeta crescimento global resiliente apesar de tarifas e guerras, com destaque para os Estados Unidos. Instituição, no entanto, alerta que riscos tendem para o lado negativo.

A economia mundial seguirá crescendo apesar de guerras, tarifas e tensões geopolíticas. É o que apontará a atualização das projeções econômicas globais do Fundo Monetário Internacional(FMI), a ser divulgada no próximo domingo (19).
Segundo a própria instituição, porém, os números refletem menos a estabilidade do cenário e mais a capacidade de adaptação forçada das economias a um mundo cada vez mais imprevisível.
Em entrevista durante visita a Kiev, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que o novo relatório deve repetir o diagnóstico de outubro, quando o Fundo elevou a previsão de crescimento global para 2025 de 3,0% para 3,2%, mantendo 2026 em 3,1%.
A principal surpresa, segundo ela, foi a capacidade de absorção dos choques comerciais, inclusive aquelas oriundas das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no último ano. O desempenho dos Estados Unidos, inclusive, chamou a atenção do Fundo.
Mesmo após a aplicação de barreiras tarifárias sobre praticamente todos os parceiros comerciais, a economia norte-americana manteve crescimento considerado “bastante impressionante”. O impacto foi limitado, em parte, porque o país responde por apenas 13% a 14% do comércio global e porque, até agora, outras nações evitaram retaliações em larga escala.
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Enquanto isso, regimes como China e Rússia seguem apostando benefícios advindos de confrontos geopolíticos, fragmentação de cadeias produtivas e pressão estratégica. Tais estratégias, por sua vez, tendem a aprofundar incertezas que os dados de curto prazo não são plenamente capazes de captar.
No geral, o FMI reconhece que os riscos è economia global estão “mais inclinados para o lado negativo”, especialmente devido a conflitos internacionais e à corrida tecnológica.
Outro ponto sensível é o volume maciço de recursos direcionados à inteligência artificial. Georgieva alertou que, se os ganhos de produtividade prometidos não se materializarem, o resultado pode ser instabilidade financeira em escala global. Ainda assim, governos e empresas continuam agindo como se o cenário fosse previsível.
A diretora também demonstrou preocupação com a fragilidade fiscal de muitos países, observando que o FMI já opera cerca de 50 programas de financiamento, um número elevado em termos históricos.
Ao final, Georgieva deixou um alerta aos políticos mundo afora.
“Estamos em um mundo mais imprevisível e, ainda assim, muitos formuladores de políticas se comportam como se nada tivesse mudado.”
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