Pelo menos sete pessoas morreram em confrontos pós-eleitorais na Uganda após votação tensa que favorece o veterano presidente Museveni; versões de oposição e polícia divergem sobre responsabilidades.

Pelo menos sete pessoas foram mortas e três ficaram feridas em confrontos entre a polícia e apoiadores da oposição na Uganda, no leste da África, na sequência das eleições presidenciais realizadas nesta semana, informaram autoridades locais nesta sexta-feira (16).
Os incidentes ocorreram na madrugada na região central do país, destacando a intensidade da tensão política após o pleito e os riscos para a estabilidade democrática da nação.
A violência foi registrada na cidade de Butambala, cerca de 55 km ao sudoeste de Kampala, capital do país. A polícia disse que membros de grupos ligados à oposição teriam atacado uma delegacia e centro de apuração de votos com machetes, levando as forças de segurança a responderem “em legítima defesa”. Vinte e cinco pessoas foram detidas durante os confrontos, de acordo com a versão oficial.
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Por outro lado, membros da oposição, incluindo o deputado local Muwanga Kivumbi, contestaram a narrativa das autoridades, alegando que a violência foi desencadeada por forças de segurança. Kivumbi afirmou que pelo menos 10 pessoas foram mortas dentro de sua própria casa enquanto aguardavam a divulgação dos resultados da eleição para seu assento parlamentar.
O episódio acontece em meio a um clima político bastante tenso em Uganda, na qual o presidente Yoweri Museveni, no poder há quatro décadas, lidera as apurações com ampla vantagem e caminha para estender seu mandato.
Os resultados preliminares mostraram Museveni com mais de 75 % dos votos contados até agora, enquanto seu principal rival, o cantor e político Bobi Wine, obtém cerca de 21 %.
A eleição foi marcada por um forte aparato de segurança em todo o país, um bloqueio de internet nacional, e restrições à transmissão de cenas de distúrbios, em medidas justificadas pelas autoridades como necessárias para conter “desinformação” e manter a ordem.
Críticos e grupos de direitos humanos denunciaram um ambiente de repressão que, antes mesmo da votação, incluiu prisões de ativistas, ataques a apoiadores da oposição e silenciamento de organizações civis.
Organizações internacionais, inclusive a ONU, expressaram preocupação com o uso excessivo da força e a possibilidade de violação dos direitos políticos e civis no processo eleitoral, pedindo que todas as partes respeitem a integridade dos cidadãos e garantam um ambiente pacífico para a participação democrática.
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