Cálculos independentes estimam somas consideráveis para a aquisição. Iniciativa enfrenta forte resistência tanto da população norte-americana quanto de aliados europeus.

No início desta semana, o governo dos Estados Unidos voltou a tratar oficialmente da possibilidade de adquirir a Groenlândia, território semiautônomo do Reino da Dinamarca. Segundo fontes, caso Washington priorize a opção financeira, o custo estimado da operação pode chegar a US$ 700 bilhões.
O valor, calculado por acadêmicos e ex-integrantes do governo norte-americano, supera metade do orçamento anual do Departamento de Defesa, estimado em aproximadamente US$ 1,3 trilhão para o exercício fiscal em curso.
Independente do custo astronômico, a aquisição passou a integrar o planejamento estratégico da Casa Branca no segundo mandato de Donald Trump. O presidente vê a maior ilha do mundo como peça-chave para a segurança continental e para o controle de rotas e recursos no extremo norte do planeta.
A proposta ganhou tração após Trump afirmar que a Groenlândia será incorporada “de um jeito ou de outro”, declaração que provocou reações imediatas em Copenhague e Nuuk. Autoridades locais reiteraram que o território não está à venda.
“A Groenlândia não quer ser de propriedade, governada ou fazer parte dos Estados Unidos”, declarou a ministra das Relações Exteriores groenlandesa, Vivian Motzfeldt.
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A resistência política, porém, não impediu que o tema avançasse internamente em Washington.
O secretário de Estado, Marco Rubio, recebeu a missão de apresentar uma proposta formal de aquisição ou de arranjo alternativo, como um acordo de livre associação, modelo já utilizado pelos Estados Unidos no Pacífico. Esse formato permitiria presença militar ampliada e assistência financeira, a um custo inferior ao da compra direta.
A justificativa central do governo norte-americano é clara: evitar que uma eventual independência da Groenlândia abra espaço para a influência de Moscou ou Pequim. Trump foi direto ao afirmar que, caso os Estados Unidos não atuem, “Rússia ou China o farão”. A avaliação encontra respaldo em setores de segurança, que apontam o litoral de quase 27 mil quilômetros da ilha como vulnerável a potências rivais.
Pesquisas, no entanto, indicam resistência tanto interna quanto externa. Apenas 17% dos cidadãos dos Estados Unidos apoiam a aquisição, e 71% rejeitam qualquer uso de força militar. Ainda assim, aliados europeus reconhecem que Washington já possui presença estratégica no território, como a base de Pituffik, essencial para o monitoramento de ameaças russas.
Para Trump, a lógica é simples e direta, como ele próprio descreveu.
“É mais fácil fazer um acordo, mas, de um jeito ou de outro, teremos a Groenlândia”.
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