Financiado por dívida conjunta do bloco, pacote prioriza gastos militares e reformas institucionais. Falta de compromisso de compras de fornecedores europeus gera tensão interna.

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (14) um plano de € 90 bilhões para sustentar financeira e militarmente o esforço de guerra da Ucrânia.
Em um momento em que a guerra contra a Rússia se aproxima de seu quinto ano e a ajuda direta dos Estados Unidos segue retraindo, o pacote expõe, ao mesmo tempo, a dependência europeia do conflito e a tentativa de manter Kiev em condições mínimas de resistência.
Do total anunciado, cerca de € 60 bilhões serão destinados a gastos militares, enquanto os € 30 bilhões restantes servirão para manter o funcionamento do Estado ucraniano, incluindo salários, serviços públicos e reformas institucionais. Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o objetivo é evitar o colapso financeiro do país e garantir capacidade de defesa.
“Todos queremos a paz para a Ucrânia, e para isso a Ucrânia precisa estar em uma posição de força”, afirmou.
A operação será financiada por meio da emissão de dívida conjunta da União Europeia, com custo estimado entre € 3 bilhões e € 4 bilhões por ano aos contribuintes europeus a partir de 2028. A Ucrânia, por sua vez, só teria de devolver os recursos em um cenário considerado improvável: o pagamento de reparações de guerra pela Rússia. Caso isso não ocorra, Bruxelas admite recorrer a ativos russos congelados no bloco, tema que enfrenta resistência política, especialmente da Bélgica.
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O plano também evidencia tensões internas na Europa. Países como França pressionam por regras rígidas para impedir que o dinheiro termine em fabricantes de armas dos Estados Unidos, enquanto Alemanha e nações do Norte defendem flexibilidade. A própria Comissão reconhece que alguns sistemas essenciais para a defesa ucraniana, como o Patriot norte-americano, não possuem substitutos europeus viáveis no curto prazo.
Para além do campo militar, o pacote busca destravar novos empréstimos do Fundo Monetário Internacional e manter Kiev solvente até pelo menos 2027. A iniciativa ocorre enquanto Moscou segue sem sinalizar recuo em sua ofensiva, apesar dos esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para um cessar-fogo.
“A Rússia não mostra sinais de recuar, nem de buscar a paz”, lamentou von der Leyen.
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