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A União Europeia planeja criar exército próprio, com estrutura militar e de suprimentos integrada. Ameaça russa e desconfiaça americana impulsionam a mudança.

Imagem: Uwe Anspach

Na última quarta-feira (14), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia trabalha para se tornar uma “potência militar”. A declaração, feita em reunião reservada com parlamentares em Bruxelas, ocorre em meio à guerra na Ucrânia e às tensões geopolíticas no Atlântico Norte.

O movimento sinaliza uma mudança estratégica que expõe tanto o medo europeu da Rússia quanto a crescente desconfiança em relação à proteção garantida pelos Estados Unidos. Segundo von der Leyen, a União Europeia precisa combinar sua força econômica com capacidade militar própria.

“Não somos uma potência militar, mas estamos nos tornando uma potência militar”, afirmou aos eurodeputados do Partido Popular Europeu. A dirigente ressaltou que o bloco já avançou nesse caminho com programas como o ReArm, que pode mobilizar até € 800 bilhões, e com iniciativas conjuntas de compras militares.

O discurso ganhou contornos ainda mais sensíveis diante da situação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e estratégico do ponto de vista militar e mineral. Questionada sobre a aplicação da cláusula de defesa mútua europeia em caso de conflito envolvendo a ilha, von der Leyen evitou confirmação direta, destacando apenas que os groenlandeses têm o direito de decidir seu próprio futuro.

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Paralelamente, líderes europeus passaram a defender abertamente a criação de uma estrutura militar integrada. O ministro de Relações Exteriores espanhol José Manuel Albares declarou que a Europa precisa “avançar para um exército europeu” para não depender de “terceiros” em matéria de segurança. Para ele, a guerra promovida pela Rússia na Ucrânia é prova concreta da ameaça ao continente.

A proposta também recebeu apoio do comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius, que propôs uma força militar centralizada de 100 mil soldados. Em comparação direta, questionou se os Estados Unidos seriam mais fortes com dezenas de exércitos separados. A resposta, segundo ele, é evidente.

Apesar do discurso de autonomia, a iniciativa revela uma contradição histórica. A segurança europeia segue ancorada na aliança atlântica, liderada pelos norte-americanos, justamente enquanto Bruxelas tenta projetar independência estratégica. Ao mesmo tempo, o avanço russo no Leste e a pressão chinesa sobre cadeias globais de suprimentos reforçam a percepção de vulnerabilidade.

“Precisamos nos tornar ativos”, defendeu o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, ecoando o novo tom europeu diante de um cenário internacional cada vez mais hostil.

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