Países do G7 e aliados, reagindo ao uso político de recursos minerais por Pequim, tentam desenvolver cadeias alternativas de exportação para reduzir dependência.

Ministros de Finanças do G7 e de países aliados reuniram-se em Washington para tratar de um tema cada vez mais sensível: como reduzir a dependência ocidental em relação às terras raras controladas pela China.
O encontro ocorre em meio ao uso cada vez mais explícito desses minerais por Pequim como instrumento de pressão econômica e diplomática.
Convocada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a reunião contou com representantes de Japão, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Estados Unidos, além de Austrália, Índia, México e Coreia do Sul. Embora não tenha sido divulgado um comunicado conjunto, houve consenso quanto à necessidade de agir rapidamente para corrigir vulnerabilidades nas cadeias de suprimento de minerais críticos.
Esses insumos são essenciais para tecnologias de defesa, semicondutores, baterias, energia renovável e aplicações militares. A China domina entre 70% da mineração global de terras raras e cerca de 90% do refino, segundo dados citados durante as discussões. Na prática, isso dá a Pequim uma alavanca estratégica sobre economias avançadas que dependem desses materiais para sua segurança nacional.
Leia mais:
Europa mira Índia para fugir do conflito EUA x China
A benção maldita da África: o conflito pelas Terras Raras
A preocupação ganhou urgência após Pequim endurecer controles de exportação, incluindo restrições recentes a itens de uso dual destinados ao Japão, e após medidas semelhantes direcionadas aos Estados Unidos no ano passado. O histórico reforça a percepção de que a China não hesita em usar sua posição dominante como arma política.
A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou haver “amplo acordo sobre a necessidade de reduzir rapidamente a dependência da China no tocante a terras raras”. Segundo ela, os países discutiram abordagens de curto, médio e longo prazo, incluindo a criação de mercados com padrões mínimos de direitos trabalhistas e humanos, incentivos financeiros, uso de bancos públicos, medidas comerciais e até o estabelecimento de preços mínimos.
Katayama também destacou a experiência japonesa, que conseguiu reduzir sua dependência de terras raras chinesas de cerca de 90% para aproximadamente 60% após um embargo imposto por Pequim em 2010. Para ela, a cooperação entre países que respondem por mais de 60% da demanda global pode ter impacto real sobre o equilíbrio do mercado.
Do lado europeu, o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, defendeu ação concreta em vez de retórica. “Nem reclamação nem autopiedade ajudam. Precisamos nos tornar ativos”, afirmou, enfatizando a necessidade de financiamento, reciclagem e desenvolvimento de novas fontes dentro da Europa.
Washington, por sua vez, buscou enquadrar a estratégia como “redução de riscos”, e não um rompimento completo. Segundo o Tesouro, Bessent defendeu “reduzir de modo prudente, em lugar de desacoplar”, sinalizando que os Estados Unidos preferem diversificar fornecedores a manter dependências perigosas.
Pequim reagiu com previsível tom defensivo. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o país continua comprometido com a “estabilidade e segurança” das cadeias globais de minerais críticos, embora os fatos recentes sugiram que essa estabilidade é, no mínimo, condicional.
No pano de fundo, a mensagem é clara: enquanto China e Rússia usam recursos estratégicos como instrumentos de coerção, os Estados Unidos e seus aliados tentam reorganizar cadeias produtivas para reduzir vulnerabilidades. Katayama destrinchou a estratégia.
“Temos de agir rapidamente para corrigir as deficiências atuais nas cadeias de suprimento de minerais críticos.”
Leia mais:
Europa mira Índia para fugir do conflito EUA x China
A benção maldita da África: o conflito pelas Terras Raras
Envie-nos o seu feedback em contato@wowgeopolitica.com.br.
Interessado em se conectar com leitores curiosos e informados? Anuncie conosco.