China fecha 2025 com superávit recorde de US$ 1,2 trilhão. Estratégia amplia influência global, mas aprofunda tensões comerciais e geopolíticas.

Mesmo diante de queda acentuada nas trocas com os Estados Unidos, a China encerrou 2025 com um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão.
O número expõe uma estratégia clara de Pequim: contornar pressões norte-americanas ampliando sua presença em mercados emergentes e aprofundando tensões geopolíticas já latentes.
Dados divulgados pela alfândega chinesa mostram que as exportações cresceram 6,6% em dezembro, bem acima das expectativas do mercado, enquanto as importações avançaram 5,7%. No acumulado do ano, as vendas externas subiram 5,5%, impulsionando um superávit de US$ 1,19 trilhão, patamar comparável ao PIB de economias como a da Arábia Saudita.
O resultado positivo se manteve mesmo diante da forte retração no comércio bilateral com os Estados Unidos, onde as exportações chinesas caíram 20% em 2025 e as importações recuaram 14,6%.
A resposta chinesa às tarifas e restrições impostas por Washington foi acelerar a diversificação de parceiros. Exportações para a África cresceram 25,8%, enquanto os embarques para o bloco do Sudeste Asiático avançaram 13,4% e para a União Europeia, 8,4%.
A estratégia garantiu escala global à indústria chinesa, mas também acendeu alertas em capitais ocidentais sobre excesso de capacidade, práticas comerciais desleais e dependência excessiva de produtos vindos de Pequim.
“Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente reforçada”, afirmou Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa.
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A leitura oficial, no entanto, contrasta com análises mais cautelosas. Para Fred Neumann, economista-chefe do HSBC para a Ásia, a competitividade chinesa reflete ganhos de produtividade e sofisticação tecnológica, mas também “demanda doméstica fraca e excesso de capacidade”.
Esse desequilíbrio interno segue como o principal calcanhar de Aquiles da segunda maior economia do mundo. O setor imobiliário permanece em crise, o consumo das famílias segue contido e a inflação ficou abaixo da meta oficial. Ainda assim, Pequim continua usando exportações baratas como válvula de escape, estratégia que tende a ampliar fricções globais.
O tema ganhou contornos ainda mais sensíveis com o aumento das exportações chinesas de terras raras, que atingiram o maior nível desde 2014, mesmo após restrições impostas por Pequim a alguns minerais estratégicos. Analistas veem o movimento como uma demonstração calculada de poder em meio a negociações envolvendo soja, aviação e tecnologia.
O fator Trump permanece no centro do tabuleiro. O presidente norte-americano voltou a ameaçar tarifas de 25% a países que mantêm comércio com o Irã, reacendendo tensões com Pequim. Zichun Huang, economista da Capital Economics, é suscinto.
“A ameaça de Trump destaca o potencial de renovadas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.”
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