Somália cancela todos os acordos com os Emirados Árabes Unidos, acusando Abu Dhabi de minar sua soberania e unidade nacional, e amplia tensões políticas no Chifre da África.

O governo da Somália anunciou a anulação imediata de todos os acordos com os Emirados Árabes Unidos (EAU), acusando Abu Dhabi de ações que “minam a soberania, unidade nacional e independência política” do país.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros somali em 12 de janeiro de 2026 e abrange uma ampla gama de pactos bilaterais, incluindo cooperação em segurança, defesa e acordos portuários estratégicos.
As autoridades de Mogadíscio justificaram a medida com base em “relatórios credíveis e provas” de que os EAU estariam se envolvendo em atividades que vulnerabilizam a integridade territorial da Somália e apoiando forças ou iniciativas que desafiam a unidade do Estado federal.
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Entre os pontos de atrito estão as relações comerciais e militares estabelecidas pelos Emirados com autoridades ou grupos nas regiões autônomas de Somaliland, Puntland e Jubbaland, que têm repetidamente rejeitado o cancelamento dos acordos por parte do governo federal.
A disputa também está inserida em um contexto mais amplo de reconhecimento internacional da autoproclamada República de Somaliland, como ocorreu recentemente com a declaração de reconhecimento por parte de Israel, motivo de forte oposição por parte de Mogadíscio.
Organizações regionais e internacionais, incluindo a União Africana, criticaram tal reconhecimento por ameaçar a estabilidade no Chifre da África.
Entre os compromissos cancelados estão acordos relacionados aos portos de Berbera, Bosaso e Kismayo, considerados vitais para o comércio e a segurança marítima somalis. DP World, empresa de logística dos Emirados, afirmou que suas operações no porto de Berbera continuam inalteradas, destacando a complexidade e os riscos econômicos associados à ruptura.
A Somália enfrenta um delicado equilíbrio entre proteger sua soberania e unidade territorial e manter parcerias estratégicas com potências externas. A escalada com os EAU pode reconfigurar alianças regionais e afetar fluxos comerciais e militares no Chifre da África.
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